MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Investigador na área da Educação

29/04/2026 08:00

Absolutamente incontornável, na história contemporânea portuguesa, é o simbolismo associado à “Revolução dos Cravos”, celebrado a 25 de abril, e o “Dia do Trabalhador”, comemorado a 1.º de maio. Embora distintas, na sua origem e natureza, estas datas encontram-se intimamente interligadas no processo de construção da democracia em Portugal. Representam, a seu modo, respetivamente, a conquista da liberdade política e a afirmação dos direitos sociais e laborais. Estamos em crer, que a análise conjunta destes momentos permite compreender, de facto, a articulação entre diferentes dimensões da cidadania democrática.

O “25 de Abril de 1974” constitui um marco fundador da democracia portuguesa, ao pôr fim ao regime autoritário do Estado Novo. Este acontecimento inaugurou um novo quadro político, assente em princípios fundamentais como: a liberdade de expressão, o pluralismo partidário e a soberania popular. Em termos concetuais radicou numa rutura histórica que estabeleceu as bases institucionais de um Estado de direito democrático. A partir deste momento, os cidadãos passaram a dispor de direitos civis e políticos, inscritos na Constituição de 76 (que celebra este ano os seus 50 anos!), que lhes permitem participar ativamente na vida pública, rompendo com décadas de repressão e ausência de participação democrática.

Por sua vez, o “1.º de Maio”, enquanto “Dia do Trabalhador”, assume em Portugal uma relevância, sobretudo, no período “pós-25 de Abril”. Embora, a sua origem remonte aos movimentos operários internacionais do século XIX, foi apenas depois do 25 de abril que esta data pôde ser celebrada livremente no país. O “1.º de Maio” simboliza a luta pelos direitos dos trabalhadores, incluindo melhores condições de trabalho, salários justos e proteção social. Neste sentido, representa a dimensão social da democracia, centrada na promoção da igualdade e na justiça social. Se o “25 de Abril” consagra direitos formais, o “1.º de Maio” reivindica, na prática, a sua concretização no quotidiano dos cidadãos.

A relação entre estas duas datas deve, assim, ser compreendida como complementar e dialética. O “25 de Abril” cria as condições políticas necessárias para a liberdade de organização e reivindicação, tornando possível a celebração do “1.º de Maio” em liberdade. Por outro lado, as lutas associadas ao “1.º de Maio” contribuem para aprofundar a democracia, ao exigir que os direitos políticos sejam acompanhados por condições materiais dignas. Estas datas refletem, pois, duas dimensões fundamentais da democracia: a liberdade e a igualdade.

Nunca será por demais defender, mais ainda nesta altura, que devem constituir um dos cernes do debate ético e polí¬tico, ao invés dos artificialismos e incoerências, que na maioria dos casos obnubilam as incompetências e os populismos, em especial neste mundo conturbado onde vivemos. Mais, devem fornecer um cri¬tério válido e escrutinável para o funcionamento da democracia na comuni¬dade. O que vimos assistindo atualmente demonstra infelizmente quão necessário será revisitar os valores da ética, da moral, da solidariedade e do mérito, apenas para assinalar os mais prementes.

Convergirá, então, recolocar na agenda as matérias da Cidadania e as con-dições de formação e socialização das novas gerações. Evitar que estas percam a ligação intergeracional e, sobretudo, se desconetem dos verdadeiros problemas sociais, até porque Portugal é o quinto país mais desigual na UE EU statistics on income and living conditions - Eurostat (europa.eu).

Manter a coesão social é, pois, um desígnio que nos deve mover e sobre o qual de todos os quadrantes dimana largo consenso, pelo que afirmar esta ligação intrínseca entre “25 de Abril” e “1.º de Maio” é, mais que tudo, assegurar a coesão social nacional fazendo-o justamente, neste momento, com o valor simbólico e histórico que cremos relevante assinalar.

OPINIÃO EM DESTAQUE

HISTÓRIAS DA MINHA HISTÓRIA

26/04/2026 07:30

Junto a um contentor de lixo, vi pedaços de um espelho e logo pensei: oxalá quem o partiu não sofra os sete anos de azar preconizados pela superstição...

Ver todos os artigos

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

O que representa o regresso do Marítimo à Primeira Liga?

Enviar Resultados
RJM PODCASTS

Mais Lidas

Últimas