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Artigo de Opinião

Farmacêutico Especialista

4/02/2026 08:00

Somos confrontados diariamente com a realidade da vida, a sua fragilidade, com a existência de um trajeto finito temporalmente.

As notícias são profícuas na morte, mas o nascimento não tem direito ao mesmo palco, será que a vida deverá ter menos palco que a morte? Ou será que reside no ser humano, algo de profundamente mórbido e ávido pela desgraça?

Infelizmente observamos que há uma constância na presença da morte nos media, e como tal na nossa vida, e se a vida é um percurso finito, provavelmente andamos a valorizar em demasia a morte, e a dar pouco espaço ao nascimento e como tal à vida. É um problema marcadamente social, pois induz uma mentalidade enviesada no percurso vivencial, e isso, é bem patente nas sociedades atuais com a pouca valorização em ter filhos, espelhada na baixa natalidade, e com uma hierarquia de valores produzidas em torno do Eu, se quisermos um egocentrismo vivencial que se subjuga a intensidade da experiência e duração da mesma, numa ótica ilusória marcadamente egoísta.

Mas permitam-me, a barreira final, é encarada de forma não consciente, a morte não é pensada, mas sim observada enquanto fim do percurso (quando não nos toca de forma direta), pensemos nos números da morte por fome, na Somália, Iémen, Sudão, Mali, pensemos nas vítimas dos temporais e catástrofes por esse mundo fora, nos acidentes, etc... o medo da mesma não permite concretizá-la em consciência. O Homem não dedica tempo ao signo e sua validade, nem tão pouco procura compreendê-lo, e assim sendo rejeita-o.

A consciência da finitude é talvez das coisas mais difíceis de concretizar! É aflitiva, desesperante, incapacitante, mas será a única forma de aceitá-la!

Devemos ou não, estar cientes da finitude, e se sim de que forma?

A espada de Dâmocles, pode ou não, estar visível ou presente na nossa consciência?

Será esta consciência um catalisador para uma vida aproveitada em pleno? Ou antes pelo contrário uma vida subjugada ao medo?

Assim sendo, uma aceitação verdadeira da mesma, desbloqueia um exercício vivencial em virtude e verdade, em que o Bem faça parte integral da experiência, e em que ocorra uma renúncia espontânea da conveniência própria, em prol de uma existência maior.

“Gott ist tot” de Nietzsche – “Deus está morto”, é uma provocação para o empoderamento do Homem, levando-o a criar valores próprios, e numa busca da sua própria razão para a existência, ou se quisermos observar A. Camus “antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, pelo contrário ficou evidente que ela será melhor vivida se não tiver significado”.

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