O presidente do Governo Regional defendeu hoje que a transição para a economia digital é "a grande oportunidade histórica das regiões ultraperiféricas", frisando que a Madeira já começou esse processo.
Na sessão de abertura do primeiro Encontro Interparlamentar do PSD, Miguel Albuquerque começou por reclamar uma mudança de discurso e de visão global, que coloque as regiões ultraperiféricas (RUP) "não como ónus para a União Europeia, mas como mais-valia".
O governante madeirense vincou que as RUP "significam para a Europa uma afirmação física no mundo enquanto potência", com presença no Atlântico, nas Caraíbas, na América do Sul e no Índico. Em segundo lugar, realçou a biodiversidade e importância para o desenvolvimento científico, e por fim, deu relevo ao potencial do mar e da extensão da plataforma continental através das zonas marítimas das RUP, sublinhando o interesse geopolítico para a afirmação internacional da União Europeia.
Depois de apontar as três principais potencialidades das RUP para a UE, Miguel Albuquerque defendeu então a aposta numa economia digital para estas regiões, dando a Madeira como exemplo.
"O objetivo é que, nos próximos anos, as empresas tecnológicas ultrapassem os setores tradicionais como o turismo, porque através delas, podemos trabalhar em igualdade de circunstâncias com qualquer região continental, com a capacidade de atrair empresas sem o ónus da ultraperiferia, já que trabalhar na Madeira, em Paris ou Berlim é a mesma coisa", explicou.
Para isso, todavia, o presidente do Governo Regional enumerou três pontos "cruciais": mobilidade, conexão digital, e uma compensação dos custos da ultraperiferia.
"É fundamental que a mobilidade aérea, marítima e digital para as regiões ultraperiféricas não seja penalizada por utopias disparatadas", começou por referir Albuquerque, sublinhando a importância de garantir a derrogação das taxas de carbono para as regiões. "Se isso não acontecer, estamos a ser penalizados e a nossa economia está a ser estrangulada."
Em segundo lugar, o governante reivindicou "uma ligação ou conexão digital equitativa e com preços acessíveis", porque "se isso não acontecer, as empresas vão deslocar-se para as regiões mais ricas". "A conexão digital é decisiva, e precisamente por isso, já investimos num cabo, para não ficarmos na mão de empresas que querem especular e criar negócio à custa da ultraperiferia."
Por fim, Miguel Albuquerque voltou a apontar baterias ao Estado, reclamando que a República "assuma aquilo que a União Europeia tem assumido".
"A União Europeia, bem ou mal, tem assumido algo que a República reclama a toda a hora, mas nunca faz, que é assegurar que os custos da ultraperiferia são compensados", apontou. "O Estado português demitiu-se de assumir as responsabilidades no quadro das suas obrigações constitucionais. É muito mais fácil ter regiões ultraperiféricas quando não se tem de assumir nada. Aliás, nem nos princípios basilares da segurança assume, porque as esquadras da PSP estão a cair aos pedaços."
Marco Milho