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Artigo de Opinião

18/12/2023 05:00

Um parágrafo acrescentado pela Procuradora-Geral da República num comunicado, levou à demissão de António Costa do cargo de Primeiro-Ministro, colocando o país numa crise política sem precedentes, num momento em que a estabilidade era uma certeza.

Passado mais de um mês, continuamos sem conhecer os fundamentos que sustentam o parágrafo da Sra. Procuradora, deixando o nome de António Costa a marinar numa incerteza político-judicial.

Estaremos perante a judicialização da política? O que se passa neste país? As instituições começam a ser colocadas em causa quando comunicados, sem explicações e fundamentos, levam à queda de órgãos que foram democraticamente eleitos. Entretanto, as escassas investigações do MP, na base deste famoso comunicado, quando presentes ao juiz de instrução criminal, caem, na sua maioria, por terra, não lhe sendo reconhecida validade ou fundamento nas acusações proferidas. Como mais recentemente disse o ex-líder do PSD, Rui Rio, a “PGR deveria abandonar o cargo”.

Demitido o Primeiro-Ministro, perante a composição da Assembleia da República, o Presidente da República, após ouvir os partidos e o Conselho de Estado deveria ter convidado o partido maioritário a apresentar um novo governo, pois estava disponível para esse efeito, prosseguindo assim com a estabilidade que os portugueses deram ao país. Mas não, a sede de protagonismo de Marcelo Rebelo de Sousa, levou-o a anunciar a dissolução da Assembleia da República e a marcar eleições para o dia 10 de março. Foi e é lamentável esta atitude e postura do Presidente da República, que, muito, provavelmente, ficará na história como o responsável pela maior crise política dos tempos modernos. Dificilmente voltará a haver uma maioria absoluta que garanta estabilidade de governação, correndo o risco de nos 50 anos do 25 de abril, assistirmos a uma direita desesperada aliada a um partido fascista e xenófobo.

Na sequência destes acontecimentos, o PS foi a votos. Demonstrou vitalidade, mobilização e liderança. Dois excelentes líderes em condições de liderar o PS, qualquer um deles melhor que qualquer outro líder da oposição. Nas palavras de António Costa, qualquer um dos candidatos do PS é bem melhor do que Montenegro.

Apoiei José Luís Carneiro, por acreditar na sua pessoa, por conhecer o seu percurso há muito anos, e por o considerar um político extremamente bem preparado, capaz de unir e de criar pontes, internas e externas, com as diferentes vertentes políticas. Sabia que a sua candidatura dificilmente sairia vencedora, mas não é o sentido oportunista das vitórias eminentes que tem marcado as minhas escolhas ao longos dos anos, mas sim a forte convicção de quem considero a pessoa mais bem preparada para cada momento.

Ganhou Pedro Nuno Santos e a partir do dia de ontem, Pedro Nuno Santos é o meu líder e será ao lado dele que continuaremos o excelente trabalho do PS, será ao lado dele que lutarei pela reposição da justiça e da verdade política no nosso país e pela credibilidade das instituições. A vitória do PS com Pedro Nuno Santos será também a vitória da democracia e de todos os portugueses.

O PS é um grande partido e o exemplo disso foi a dinâmica criada neste breve período eleitoral interno, onde mais do que se discutir as políticas internas do próprio PS, os principais candidatos conseguiram pôr o país a discutir os reais problemas do país e demonstraram dinâmica e vivacidade na apresentação de ideias. E são muitas as ideias para o nosso futuro. O PS está bem vivo, dinâmico e pronto para continuar a lutar por um Portugal cada vez melhor, mais moderno, democrático e mais próximo de uma Europa, outrora bem mais distante.

2024 será com certeza um ano diferente, a incerteza é muita, por isso, vamos à luta.

Um Feliz Natal e um excelente 2024.

Duarte Caldeira escreve à segunda-feira, de 4 em 4 semanas

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