Escrevi este texto sob preocupação.
Não me confundir com a incultura pequeno-burguesa dos que, sempre dependurados no Sistema Político vigente, rapidamente e tal como nos idos de Abril 74, agora passada a “primeira volta” das “presidenciais”, tiveram a preocupação (OU A NECESSIDADE) de exibir publicamente uma “profissão de fé democrática”.
Graças a Deus que o positivo e o negativo de toda a minha vida pública, dispensam-me de tais cenas.
Não mudei. Continuo adversário do Sistema Político estabelecido e retrocessamente desenvolvido pela Constituição de 1976, porque quero o Regime Democrático acautelado, consolidado e em progresso.
Porque quero reconhecido o Direito Natural do Povo Madeirense a uma Autonomia Política. Justa, capaz e evolutiva no quadro da Unidade Nacional.
Unidade Nacional que é diferente de “Estado Unitário” que não aceito.
O Autor que criou Frankenstein (séc. XIX) escreveu:
“O homem que faz da cidade natal o seu mundo, é mil vezes mais feliz do que aquele que aspira tornar-se demasiado grande”.
E insisto mais uma vez na diferença entre Regime e Sistema. O Regime é a forma que assume o Poder político no tocante aos fins do Estado, às concepções da vida colectiva e às relações entre as Pessoas e o Estado. O Sistema diz respeito à estrutura interna do Poder, à posição perante o Poder dos governantes e dos governados, e à distribuição do Poder pelos diferentes Órgãos nacionais, regionais e locais.
Ora, ao Sr. Deputado Ventura só Lhe interessa um resultado na segunda volta. Perder.
Explico.
Já Francisco Sá Carneiro acentuava que, para defender o Regime Democrático, era necessária uma reforma do Sistema Político, via revisão constitucional.
As autonomias insulares, sem tal revisão - que teremos de saber se de recuo não se trata - mantêm-se longe do Direito legítimo de Açorianos e Madeirenses escolherem os respectivos modelos.
No século XXI, em Portugal e na Europa, a Política de Causas foi substituída pela “política dos interesses”. A Partidocracia limitou as Liberdades individuais. Depois, os Partidos tomaram-se dependentes das Oligarquias, estas normalmente funcionando em “modo de secretismo”. As Oligarquias escolheram os dirigentes partidários no seio do carreirismo e mediocratizaram os Regimes democráticos. O “secretismo” vem impedindo a fiscalização correcta e necessária pelo Povo Soberano.
Evidente que, nesta Situação a que chegámos, os “interesses” que deste modo mandam no Sistema Político, fazem tudo para mantê-lo.
Ora, aqui é que entra o Sr. Ventura, indivíduo sem escrúpulos que não hesita em pôr em causa os Direitos legítima e constitucionalmente adquiridos pelas Pessoas, até mesmo quando no terminal da Vida.
O Leitor preste atenção, por favor.
Se o Sr. Ventura é assim tão “perigoso”, porque é que Lhe é dado tanto “tempo de antena” por uma “informação”, tal como as Editoras, quase tudo nas mãos das Oligarquias?!...
Ao fingir “odiá-Lo”, vêm sendo os seus grandes promotores!
Porque o Sistema Político corre mais perigo, é quando contestado por cidadãos moderados.
Não é preciso ser “expert” em Acção Psicológica para saber que, se o extremismo alicia alguma gente, no entanto, exceptuando casos de desespero nacional, a reação é negativa na maior parte das pessoas.
Agora vejam.
Se o Sr. Ventura, feito “prima donna” dos noticionários e das actualidades, ataca o Sistema, este ganha mais crédito, do que quando atacado por políticos moderados. Vem o “isto não se faz”, “isto não se diz”, “coitadinho do Sistema”!...
O Sistema Político agradece, a Oligarquia safou-se.
Só que o Sr. Ventura também sabe aproveitar do espectáculo que os “patrões” do Sistema Lhe propiciam.
Sabe que, de facto, mas apenas por enquanto, encostou “às cordas” os moderados verdadeiramente anti-Sistema Político, graças aos “políticos” incompetentes e “idiotas úteis” que hoje comandam a presente Situação em Portugal.
Como também sabe que não pode ser Presidente da República, senão o seu Partido “fecha” e Ele não chega ao Poder. Como, dadas as poucas competências constitucionais do Chefe do Estado, em resultado ficava a “falar só”. E arriscava-se a um pretextado e possível “impeachment” constitucional da Assembleia da República.
Ao que chegámos, independentemente de resultados eleitorais! Tudo continuará conforme os planos quer do Sr. Ventura, quer das Oligarquias que dominam Sistema e Partidos.
O Sistema Político sobreviverá com um Presidente da República socialista e a côrte de alguns produtos tóxicos que se Lhe colaram (não sei como se vai ver livre destes...), mas Portugal continuará em degradação.
Quadro ideal para o Sr. Ventura, protegido pelos Poderes que controlam o Sistema Político, continuar a disparar em todas as direções, dizendo até algumas coisas certas, outras apenas só porque as pessoas gostam de ouvir e, na maior parte, as que a Ética e o civismo impedem de aceitar.
O que Ele quer... até chegar à governação de Portugal.
Por mim, assim como lutei contra o fascismo comunista, enquanto Deus me der vida e saúde a luta continua também contra a extrema-direita e pela Autonomia!