A crítica foi feita, esta manhã, em Câmara de Lobos, pela presidente do Partido Socialista-Madeira, que entende que “a má gestão do Governo Regional” fez com que fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “que estavam destinados à área social já não sejam aplicados neste campo, levando à perda de centenas de novas camas em lares, que tanta falta fazem à Região”.
Célia Pessegueiro lembrou que, desde o início, em 2021, a calendarização do PRR já estabelecia o seu término em meados de 2026, pelo que, nesta janela temporal, eram conhecidas as áreas prioritárias e o respetivo montante financeiro dedicado a cada uma delas.
Como adiantou a líder socialista, “a preocupação do Governo Regional e de Miguel Albuquerque deveria ter sido apoiar as instituições que se predispuseram a avançar com estas construções, ajudando-as nos projetos e nas candidaturas e permitindo-lhes que avançassem com as obras”. Contudo, apontou que, durante este tempo, o Executivo preferiu concentrar empresas em obras não prioritárias, como campos de golfe, “retirando a possibilidade de estas instituições verem os seus projetos no terreno, a tempo de não perderem estes fundos”.
De acordo com a presidente do PS-M, “é uma tragédia para a Região e um péssimo exemplo de governação” aquilo que se passou neste período. “Sabíamos o limite temporal de aplicação do PRR, havia verbas para áreas muitos específicas e perdemo-las. Numa área com tanta necessidade, como é a resposta à terceira idade, essas verbas não vão ser aplicadas. Isto é uma sabotagem completa, tanto do Governo às instituições, como uma autossabotagem”, denunciou, lembrando que o próprio Executivo tinha mostrado também a intenção de construir lares, como o apontado para a escola de São Jorge, mas não avançou nem com o projeto, nem com a candidatura.
Numa altura em que estão em curso várias obras do PRR e a do novo Hospital, que devem ser prioritárias, a socialista deixa reparos ao facto de o Governo concentrar empresas em obras com verbas próprias e que não têm limite para execução, acusando-o de fazer uma “concorrência desleal, prejudicando as instituições e prejudicando-nos a nós todos, porque são menos lares e instituições de apoio à terceira idade que vamos ter”.
“Numa área que tanta falta faz, é uma tragédia completa aquilo que aqui está a acontecer, uma má organização, uma má gestão pública”, reforçou Célia Pessegueiro.