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Artigo de Opinião

Professor

19/12/2021 08:00

Hoje, a determinação para o voto já não é tão linear, tão a preto e branco, como nas décadas anteriores. O amadurecimento da nossa democracia e a complexidade das sociedades modernas tornaram tudo muito intrincado.

A maioria vota em função dos seus interesses pessoais. Sendo que o outro não interessa. Muitos votam ainda por questões ideológicas. Uma percentagem assinalável, embora mais reduzida que outrora, vota por apego partidário. Outros por rejeição das políticas nacionais em vigor. Alguns por novas e melhores expetativas. Sendo que há cada vez mais bolhas específicas de interesses que vão levando à dilatação do leque partidário.

Mas há uma questão que se coloca sempre. Que é transversal a todos os tempos e a todo o tipo de eleições. A personalidade do candidato ou dos candidatos. Com maior importância nas autárquicas, dada a sua especial proximidade, mas também nas regionais ou nacionais, o perfil dos candidatos, a sua empatia com as massas, a confiança que dimanam, fazem toda a diferença para qualquer tipo de eleitor.

Sendo evidente que, nas próximas legislativas, a imagem que os portugueses têm de António Costa ou de Rui Rio é o que mais pesa nos pratos da balança, na hora da decisão, não é de menosprezar a importância que todos os participantes no processo eleitoral, todos os que integram as diversas listas, também têm no veredicto dos eleitores.

E isso tem impactos muito localizados. Positivos ou negativos. Pode até ser conversa de aldeia, que não tem qualquer expressão mediática e na maior parte das vezes é ignorada pelas cúpulas partidárias. Mas a questão existe e tem, à sua escala, influência no resultado local, da região ou do município, e, por multiplicação, do todo nacional.

Pelo que me é próximo, em Machico, diria que não abona em nada a candidatura do PSD/Madeira a escolha de jovens em representação concelhia, sem qualquer critério plausível. Mesmo querendo votar em Rui Rio, há quem não compreenda porque razão se dá lugar numa lista, embora suplente, a pessoas sem qualquer expressão política ou social. Embora representando a JSD, há rapazes sem qualquer impacto no eleitorado. E embora em lugar não ilegível, a fotografia é sempre uma fotografia para ser vista e apreciada.

Mas, no lado oposto, nas listas do PS, a coisa não é menos impactante. Não é fácil ao comum eleitor socialista local aceitar que numa lista regional não surja, e em lugar de destaque, uma figura ligada ao concelho que mais garantidamente dá a este partido expressivos votos em todas as eleições. É verdade que há muitos e complexos critérios na elaboração de uma lista de candidatos à Assembleia da República. Mas havendo lugar até para candidatos de fora da Região, poderia haver um cantinho de relevo para quem garante uma mão cheia de votos. A não ser que o PS regional ainda se recorde das eleições nacionais de 1995, quando ganhou o eng. Guterres, em que o segundo da lista regional foi Martins Júnior, na altura presidente da câmara, sendo que o PS averbou a sua pior derrota de sempre, tendo eleito apenas um deputado para a Assembleia da República, o que nunca mais se repetiu. Ou talvez, apesar da quantidade de votos, a direção regional não reconheça ninguém ligado ao concelho com capacidade para assumir um lugar de destaque nacional.

Ambos os casos são pormenores. Mas os pormenores também contam na hora da decisão.

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