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Adultos expostos à violência adoecem mais

Data de publicação
13 Fevereiro 2026
9:26

Problemas hepáticos e renais, doenças autoimunes e cardíacas e perturbações da saúde mental atingem mais as vítimas de violência, mesmo na idade adulta, revela um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), divulgado hoje.

“Quando se compara com a população em geral, os adultos que presumivelmente sofrem atos de violência por outros adultos apresentam mais doenças somáticas, mais perturbações mentais e mais comportamentos de risco para a saúde”, lê-se no resumo da pesquisa coordenada pela professora da FMUP Teresa Magalhães.

Publicado na revista científica internacional Jmir Public Health And Surveillance, neste estudo foram analisados 154.145 doentes, entre os 18 e os 50 anos de idade, seguidos na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, entre janeiro de 2008 e maio de 2024.

Destes, 36.835 terão sido vítimas de violência interpessoal na idade adulta.

No resumo enviado à agência Lusa, é explicado que para determinar a eventual exposição à violência, foram tidos em conta códigos e expressões que incluem “abuso físico”, “abuso psicológico”, “abuso sexual”, “maus-tratos”, “abandono”, “ameaça”, “pancada”, “insulto”, “perseguição” ou “humilhação”, entre outros.

“Os resultados indicam que as pessoas presumivelmente expostas à violência interpessoal na idade adulta (incluindo violência doméstica), quando comparadas com a população total, desenvolvem mais doenças inflamatórias autoimunes, problemas renais crónicos, fígado gordo, asma, colesterol elevado e doença cardíaca precoce”, lê-se nas conclusões.

Quanto aos sobreviventes deste tipo de violência “também apresentam maior dor crónica e perturbações da saúde mental, incluindo distúrbios do sono e do comportamento alimentar, com um aumento significativo no consumo de medicamentos psicotrópicos”.

“Apresentam, também, mais comportamentos de risco para a saúde, como abuso de álcool e drogas”, acrescenta.

Para Teresa Magalhães, “estes dados vêm sublinhar que o impacto da violência na saúde é complexo e profundo”.

A professora da FMUP, que é também especialista em Medicina Legal, considera que “a violência interpessoal não pode ser vista apenas como um tema de justiça criminal”, sendo “urgente abordar este problema endémico na sociedade”.

“Os prestadores de cuidados de saúde devem desempenhar um papel crucial na identificação destes casos o mais cedo possível. Detetar as doenças associadas pode contribuir para uma melhor abordagem na prática clínica”, refere.

A especialista sublinha o “peso da violência interpessoal” sobre “múltiplas facetas da vida dos sobreviventes”, tais como a diminuição da qualidade de vida, perda do trabalho, abandono da carreira profissional e aumento dos custos com a saúde, razão pela qual é perentória: “Rastrear a violência será uma estratégia custo-efetiva”.

Outra preocupação partilhada prende-se com os casos de violência interpessoal não identificados ou subestimados.

Os autores do estudo alertam que cabe aos médicos identificar, documentar e comunicar os casos suspeitos.

Entre as razões que prejudicam este processo, poderá estar a questão do segredo médico, bem como barreiras da parte das vítimas como vergonha, medo do julgamento, medo de que não acreditem nelas e medo de uma escalada da violência.

O grupo quer agora estender o estudo a outras regiões de Portugal e colaborar com grupos de investigação de outros países.

Além de Teresa Magalhães, participaram neste trabalho Rui Barbosa e Tiago Taveira Gomes, também da FMUP e RISE-Health, Rita Lopes, da MTG Research and Development Lab, e Carla Ponte, da USF Porta do Sol, de Matosinhos.

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