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Artigo de Opinião

Conselheiro das Comunidades - África do Sul

18/04/2023 08:00

A minha vivência na cidade de Joanesburgo excedeu já quatro décadas, cidade onde testemunhei metamorfoses de crescimento, desenvolvimento, progresso científico, social e uma melhoria bem expressiva em relações raciais, que se demarcava dos 46 anos de segregação racial que esboçou a história do país. Também, não é menos verdade que testemunhei sob um grande mal-estar e aperreação, ao depauperamento da cidade outrora vibrante, alegre, cosmopolita com gentes simpáticas e acolhedoras, resvalar para a decadência, como resultado da pequena criminalidade, furtos, crimes contra a integridade física, assaltos, estupros e algo mais, consumados sob ameaça de armas brancas, gentílicas e de fogo, trazendo consigo uma sarta de consequências nefastas resultante desses crimes que foram campeando a par de um policiamento, pouco profissional ou não existente que facultou o espargir por toda a cidade, evidenciando, o falhanço das autoridades policiais como também as municipais, governo provincial e nacional, privando arbitrariamente ou sem justa causa, os cidadãos do seu direito fundamental à segurança. Hoje, Joanesburgo, é uma cidade insegura, perigosa onde não se pode andar livremente nas ruas dominadas pelo crime violento com números inaceitáveis de vítimas e os seus habitantes acometidos pelo sentimento de desamparo. Violência não é um sintoma de força, antes pelo contrário, é sim um sinal de desesperança e de inquietude. As enésimas ações criminosas com mais ou menos violência não deixam de ser crimes e terão de ser neutralizadas, custe o que custar. Há que pôr cobro a esta desgraceira que terá de passar por um planeamento de segurança urbana cujo tema "mexe" com a população, uma vez que a falta de qualidade na segurança atinge todas as classes sociais. Quero com isto dizer o que está acontecendo na cosmopolita e vibrante Cidade do Funchal, a cidade que me viu nascer e que apesar de ter saído há muitos anos, a cidade nunca saiu de mim, está tatuada no meu coração, assim como, no coração de milhares de funchalenses aqui emigrados, vivendo a cerca de 8.085 quilómetros de distância da sua terra natal e tomados por um sentimento doloroso, lacerante temendo uma "Joanesburguização" da Cidade do Funchal, o que a materializar-se, deixará, inevitavelmente, a sua população completamente elegíaca. Não é o caso de questionar o progresso e o crescimento constantes ou as caraterísticas e beleza fenomenal da nossa histórica e mui querida da Cidade do Funchal, nem tão pouco as competências da edilidade hodierna. O que nos apoquenta são os crimes consumados no coração da nossa cidade, considerados crimes menores, há que haver muita ponderação porque podem ser prenúncio de que algo muito pior aí vem. Nalguns casos apesar de serem crimes previstos e puníveis, por vezes, não há consequências, estimulando assim a atividade criminosa. Permito-me, como cidadão do Funchal exortar a todos, sem exceções, que combatam as enésimas ações criminosas recorrentes, a avaliar pelo que sucedeu já na Rua Fernão de Ornelas, Mercado Lavradores, Rua do Carmo, Rua do Bom Jesus e até pelos lados do Campo da Barca e outras áreas. Se não forem neutralizadas urgentemente com medidas preventivas, empenho, dureza e realismo essas ações criminosas num ápice se alastrarão com toda a sua periculosidade e serão conducentes à "Joanesburguização" da Cidade do Funchal, o que a concretizar-se significará um passo gigantesco à retaguarda com efeitos nefastos para todos nós. Portanto, é imprescindível reprimir e conter esse flagelo que grassa nas ruas da Cidade do Funchal e para isso é exigível o esforço de todos para se conseguir o desfecho almejado.

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