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Revelação de novos documentos sobre caso Epstein reacende polémicas em vários países

Data de publicação
04 Fevereiro 2026
20:00

A divulgação de três milhões de documentos da investigação ao criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein reacendeu controvérsias que atingem figuras políticas, a realeza britânica e instituições internacionais, com impactos em França, Reino Unido, México, Noruega e Rússia.

O antigo ministro da Cultura francês Jack Lang tentou hoje conter a polémica gerada pelas referências ao seu nome nos documentos, invocando “ingenuidade” na relação com Jeffrey Epstein – um influente milionário norte-americano acusado de controlar um esquema de tráfico sexual e abuso sexual de menores -, afastando a hipótese de renunciar à presidência do Instituto do Mundo Árabe, cargo que ocupa desde 2013.

Lang, de 86 anos, sublinhou que não existe qualquer acusação formal contra si e que a sua presença nos documentos não implica irregularidades, embora as 673 menções ao seu nome e alegados conflitos de interesses tenham afetado a sua reputação e a da filha, Caroline.

Na segunda-feira, o antigo governante demitiu-se da presidência de um sindicato de produtores de cinema após revelações sobre uma empresa ‘offshore’ criada em 2016 com um empresário norte-americano.

No Reino Unido, o antigo príncipe André Mountbatten-Windsor, irmão do Rei Carlos III, abandonou antecipadamente a sua residência em terras da Coroa perto do Castelo de Windsor, na sequência da divulgação dos documentos.

André Mountbatten-Windsor, de 65 anos, mudou-se para a propriedade real de Sandringham, onde ficará temporariamente no Wood Farm Cottage enquanto decorrem obras na sua futura residência.

A saída ocorreu num momento em que a Polícia do Vale do Tamisa anunciou a investigação de alegações de que Epstein teria levado uma segunda mulher ao Reino Unido para manter relações sexuais com André Mountbatten-Windsor em 2010, acusações distintas das feitas por Virginia Giuffre, que se suicidou no ano passado.

André Mountbatten-Windsor negou reiteradamente qualquer irregularidade na relação com Epstein e não comentou publicamente as novas alegações, apesar de surgir várias vezes nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Na Noruega, o Instituto Nobel aguarda esclarecimentos do antigo primeiro-ministro Thorbjørn Jagland, ex-presidente do Comité do Prémio Nobel da Paz, sobre possíveis benefícios financeiros recebidos de Epstein.

O diretor do instituto, Kristian Berg Harpviken, avisou que, se se confirmarem benefícios significativos durante o exercício de funções no Comité Nobel, tal violaria o código de ética da instituição, sem, contudo, antecipar conclusões.

No México, a Presidente Claudia Sheinbaum afirmou que a cooperação do país com a investigação nos Estados Unidos só pode ocorrer mediante um pedido formal das autoridades norte-americanas, antes do depoimento de figuras do mundo empresarial mexicano mencionadas nos documentos.

Sheinbaum frisou que se trata de um inquérito conduzido nos Estados Unidos e que qualquer eventual participação de cidadãos mexicanos depende de solicitações oficiais do Departamento de Justiça.

Em Moscovo, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, comparou a divulgação dos documentos a uma “libertação de vampiros”, associando o caso a alegadas falácias financeiras e a elites ocidentais.

Zakharova citou ainda uma entrevista com o Presidente Vladimir Putin, defendendo que pessoas ligadas a Epstein passaram a ocupar posições relevantes no Ocidente, em contraste com o que descreveu como a aposta russa na moralidade tradicional.

Epstein morreu a 10 de agosto de 2019 numa prisão federal de Nova Iorque, após ter sido acusado de múltiplos crimes de tráfico sexual de jovens mulheres e raparigas menores de idade que poderiam resultar numa pena de prisão de até 45 anos.

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