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Artigo de Opinião

Conselheiro das Comunidades - África do Sul

30/08/2021 08:00

Biden e os seus acólitos, falharam de forma imperdoável, e negligente em antecipar a queda do governo afegão, democraticamente eleito, e o colapso do seu exército. Lamentavelmente, Biden evidenciou falta de competência e fugiu ao compromisso da sua América falhando os aliados, porque não teve a lucidez e a visão da perenal propensão existente no ressurgimento do terrorismo a nível internacional e falhou também estabelecer o que era no mínimo exigível, decidir trabalhar ou não com os talibãs e entre outros detalhes descurou a ameaça existencial que recai, agora, sobre si próprio. Ignorou que os últimos cento e oitenta anos o Afeganistão foi um sepulcrário de impérios, o então poderoso Império Britânico considerado uma superpotência no século XIX, teve que abandonar o Afeganistão em, 1919 concedendo a independência. A União Soviética com intenção em manter o comunismo no poder, o qual foi instituído através de um golpe de estado em 1978, a ocupação durou apenas uma década. Os dois impérios reputados de primeira ordem tiveram algo em comum no Afeganistão, após o abandono, entraram desmoronamento e agora os EUA com uma retirada inglória para júbilo dos talibãs. Resta agora a narrativa inspiradora que consiste em assegurar aos aliados e às democracias participes de que o EUA são uma vez mais um parceiro fiável. Muito dificilmente será conseguido. As consequências da decisão de Joe Biden, ultrapassa todas as outras que passam pelo Afeganistão, uma situação da qual ele próprio classificou de "ponto de inflexão" na história, definida pelo contesto sistémico entre a democracia e autocracia.

Para Biden, o perigo agora é de que se possa vir a ser confrontado com o "ponto de inflexão" de tipo diferente, as dúvidas crescentes dos aliados democráticos à cerca da fiabilidade dos EUA. Os adversários do mundo livre, posicionam-se agora de atalaia para testar Washington, no que diz respeito à solução de lugares como a Ucrânia para a Rússia ou Taipé para a China. Seria de bom timbre que Biden evidenciasse alguma competência e humanidade nos esforços das operações de evacuação e de que tem de lidar com as consequências do assalto ao poder pelos talibãs e dos potenciais riscos e perigos de terrorismo para o mundo ocidental tendo de fazer face ao desafio geracional da China e da sua ressurgência autoritária. Creio não haver dúvidas de que a China e a Rússia vão agora tirar partido do Afeganistão, instilando através das suas ações psicológicas e de propaganda, operações de influência, usando principalmente a guerra da informação.

Mais preocupantes são as dúvidas germinadas pela decisão de Joe Biden entre os aliados fortes dos EUA muitos dos quais se evidenciaram profundamente aliviados com a sua eleição e agora queixam-se que os seus países, os quais tinham tropas no Afeganistão dependendo de uma parceria com os EUA, não fossem consultados com a devida antecedência, isto é, antes de Biden ter anunciado, no passado mês de abril a retirada dos efetivos americanos. As consequências das deliberações do presidente norte-americano em relação à retirada total dos seus militares, cuja linha vermelha está traçada para ser cumprida nos próximos quatro dias, poderemos, talvez, reviver os momentos de má memória como a tomada de Saigão em abril de 1975 pelas forças do Vietcong e do Vietname do Norte. O que se pode inferir de um contato existente entre o chefe dos talibãs e o diretor da CIA, do avanço imparável dos talibãs, exibindo as suas armas, lançando o terror e sacudindo Cabul, sem que se tenham constatado tentativas de interrupção a esse avanço, à destruição de símbolos do estado Afegão que os EUA ajudaram a erigir assim como a deserção de polícias de Cabul que trocaram os seus uniformes para indumentária civil, abandonaram os seus postos. Também ininteligível que as repartições governamentais abandonadas, e pior ainda, a fuga do presidente Ghani. A partir de agora o Afeganistão ficou irrefragavelmente entregue a grupelhos de sicários anarquistas da pior estirpe, terroristas sem qualquer humanismo, cuja ação nefasta fez com que as ruas de Cabul caíssem num silêncio assustador, um panorama de terror, lágrimas e sangue, onde homens, mulheres e crianças, gritam desesperadamente por clemência. A bem dos EUA e do mundo livre e pela injustiça da sua decisão, Joe Biden, merece, sem dúvida ser acantoado.

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