MADEIRA Meteorologia

Rússia: Kremlin sem receio de agitação social devido aos preços dos combustíveis

JM-Madeira

JM-Madeira

Data de publicação
22 Setembro 2023
17:33

A presidência russa (Kremlin) justificou hoje restrições à exportação de combustíveis como necessária face à subida de preços no mercado interno, mas rejeitou o receio de qualquer "explosão social" na Rússia.

"Não há nenhuma explosão social. Nada", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em resposta a uma pergunta da agência francesa AFP, que classificou de desproporcionada.

A Rússia anunciou na quinta-feira uma proibição das exportações de gasolina e gasóleo para estabilizar o aumento dos preços internos e melhorar o abastecimento de combustível do país.

O decreto governamental refere que as restrições serão temporárias, mas não indica uma data para o seu termo.

De acordo com a agência norte-americana AP, a medida deverá conduzir a um aumento dos preços dos combustíveis no mercado mundial.

As exportações russas de gasóleo estão calculadas em cerca de 900.000 barris por dia e o país tem exportado diariamente entre 60.000 e 100.000 barris de gasolina, segundo a agência russa estatal TASS.

Os preços dos combustíveis no mercado interno baixaram cerca de 4% após o anúncio da proibição, noticiou a agência estatal.

A proibição não se aplica a outros países do bloco comercial da União Económica Eurasiática liderada por Moscovo, nomeadamente, Arménia, Bielorrússia, Quirguizistão e Cazaquistão.

O Governo anunciou hoje que está a desenvolver novas medidas sistémicas no mercado dos combustíveis, algumas das quais relacionadas com o sistema fiscal, para melhorar a situação.

"Compreendemos que existe um problema em termos de preços. Em breve, deixará de ser tão doloroso", disse o diretor do departamento de petróleo e gás do Ministério da Energia russo, Anton Rubtsov.

Com as novas medidas, "o produto [gasolina e gasóleo] será fornecido, incluindo aos agricultores, a preços razoáveis e em volume suficiente", acrescentou, citado pela TASS.

A Rússia é alvo de pesadas sanções internacionais desde que invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, destinadas a diminuir a capacidade de financiar o esforço de guerra.

Desde então, o país sofreu um aumento da inflação, o enfraquecimento do rublo e uma diminuição acentuada das receitas da venda de hidrocarbonetos, além da fuga de cérebros e escassez de mão-de-obra em alguns setores.

O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, admitiu hoje que "a pressão externa continua a afetar" a economia do país.

A Rússia conseguiu, no entanto, "mitigar muitos desafios", disse Mishustin, na apresentação do projeto de orçamento para o triénio 2024-2026, citado pela agência espanhola EFE.

No documento, o Governo antecipou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 2% ao ano durante os próximos três anos.

Este ano, o Governo espera que o PIB cresça 2,8% após a contração de 2,1% em 2022, disse o ministro do Desenvolvimento Económico, Maxim Reshetnikov.

No primeiro semestre do ano, o crescimento foi de 1,6%, segundo a estimativa preliminar da agência de estatísticas Rosstat.

Para o período 2024-2026, estima-se um crescimento entre 2,2 e 2,3 % por ano.

Quanto às várias rubricas orçamentais, o Governo não revelou as despesas com a defesa, que são secretas, mas a agência financeira Bloomberg noticiou que aumentarão para 6% do PIB em 2024, contra 3,9% em 2023 e 2,7% em 2021.

Segundo meios de comunicação social ocidentais, a Rússia terá aumentado as despesas com a defesa este ano para mais de 100 mil milhões de dólares (93,8 mil milhões de euros, ao câmbio atual).

Lusa

OPINIÃO EM DESTAQUE

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

Têm razão os enfermeiros em pedir escusa de responsabilidades?

Enviar Resultados

Mais Lidas

Últimas