O preso político bielorrusso Ales Pushkin morreu aos 57 anos sob detenção, anunciou hoje a sua mulher, num momento em que surgem várias denúncias de maus tratos nas prisões na Bielorrússia.
"Ales morreu hoje nos cuidados intensivos em circunstâncias pouco claras", declarou a mulher de Pushkin, Ianina, em declarações à agência France-Presse (AFP).
Após a sua polémica reeleição ter originado manifestações em 2020, o Presidente de Bielorrússia, Alexandre Lukashenko, no poder desde 1994, intensificou a repressão contra os seus detratores, detendo-os ou forçando-os ao exílio.
Pushkin, um célebre artista bielorrusso, foi condenado em março de 2022 a cinco anos de prisão após ter sido acusado por profanação de símbolos do Estado e por incitamento ao ódio, segundo indicou a organização independente de defesa dos direitos humanos Viasna.
Estas acusações são utilizadas com frequência pelas autoridades de Minsk na perseguição aos dissidentes.
"Ales Pushkin era a incarnação do espírito indomável do povo bielorrusso", escreveu na rede social Twitter a líder da oposição bielorrussa Svetlana Tikhanovskaya, exilada na vizinha Lituânia, juntando à mensagem uma foto do artista agitando uma bandeira vermelha e branca, um dos símbolos das manifestações da oposição, em frente a um grupo de polícias antimotim.
"Ales utilizou a sua arte para lutar pela liberdade e construir uma nova Bielorrússia sem tirania", prosseguiu Tikhanovskaya, desta vez numa mensagem publicada na plataforma Telegram.
"Por favor, se sabem algo sobre a sua morte, transmitam a informação à sua mulher, aos ‘media’ independentes ou aos militantes dos direitos humanos", reforçou.
O regime de Lukashenko encontra-se cada vez mais isolado desde a repressão brutal das manifestações e a autorização da Rússia de utilizar o território bielorrusso para desencadear a sua ofensiva militar sobre a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
A organização Viasna calcula existirem perto de 1.500 presos políticos no país, incluindo Maria Kolesnikova, outra conhecida figura da oposição juntamente com Tikhanovskaya.
Na semana passada, a irmã de Maria Kolesnikova relatou que a opositora, que no inverno passado permaneceu nos cuidados intensivos durante alguns dias, não comunica com a família desde fevereiro.