Um juiz federal rejeitou hoje o processo de difamação de cerca de oito milhões de euros, interposto pelo Presidente norte-americano contra o The Wall Street Journal, relativo a uma reportagem sobre Jeffrey Epstein.
Na decisão, o juiz distrital Darrin P. Gayles, da Florida, considerou que Donald Trump não conseguiu demonstrar que o jornal publicou o artigo com intenção maliciosa, embora tenha autorizado o Presidente a apresentar uma queixa emendada.
O processo foi apresentado em julho, pouco depois de o jornal ter publicado uma reportagem que retomava a relação entre Trump e Epstein, incluindo a referência a uma carta de teor sexual alegadamente assinada pelo então empresário e integrada num álbum de 2003 para assinalar o 50.º aniversário de Epstein.
O documento acabou por ser posteriormente divulgado pelo Congresso norte-americano, no âmbito de uma intimação relacionada com o espólio de Epstein.
A decisão judicial constitui mais um revés para a administração Trump na gestão das repercussões da divulgação dos chamados “ficheiros Epstein” e nas tentativas do Presidente de recorrer aos tribunais para contestar reportagens consideradas críticas.
O caso envolvendo Jeffrey Epstein diz respeito a uma vasta rede de abuso sexual de menores que o consultor financeiro norte-americano manteve durante anos, envolvendo tráfico de raparigas para exploração sexual e alegadas ligações a figuras influentes da política, dos negócios e do entretenimento.
Epstein foi detido em 2019 e encontrado morto na prisão pouco depois, num caso classificado oficialmente como suicídio, mas que continua a gerar controvérsia e suspeitas, sobretudo devido à extensão das suas relações e ao eventual envolvimento de terceiros que nunca chegaram a ser formalmente acusados.