As tensões no Médio Oriente mantêm-se elevadas no sexto dia do frágil cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos, com ameaças militares, incidentes regionais e impactos imediatos nos mercados globais.
Apesar de sinais diplomáticos de contenção, vários episódios indicam que o acordo permanece instável, num contexto de rivalidades regionais e disputas estratégicas no estreito de Ormuz.
Seguem-se os principais desenvolvimentos da situação:
+++ Ameaças militares de Washington +++
O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou destruir qualquer embarcação iraniana que viole o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos do Irão.
A medida surgiu depois do fracasso das negociações diretas entre Washington e Teerão, realizadas no Paquistão, e marca uma escalada retórica com implicações militares.
+++ Tensões no Golfo com ataques de drones +++
O Bahrein convocou o encarregado de negócios do Iraque, na sequência de ataques com drones alegadamente lançados a partir do território iraquiano.
Também a Arábia Saudita tomou medida semelhante, denunciando ataques contra países do Golfo apesar do cessar-fogo em vigor.
+++ Islamabad garante manutenção do cessar-fogo +++
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, assegurou que o cessar-fogo “mantém-se”, indicando que decorrem esforços diplomáticos para resolver divergências pendentes.
+++ Mercados sob pressão global +++
O bloqueio dos portos iranianos provocou turbulência nos mercados financeiros, com quedas nas bolsas e subida dos preços do petróleo.
No Dow Jones, as perdas rondavam 0,73%, enquanto o Nasdaq recuava 0,39% e o S&P 500 caía 0,35%.
Na Europa, os mercados de Paris, Frankfurt e Londres registavam igualmente perdas.
+++ ONU alerta para liberdade de navegação +++
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, sublinhou que nenhum país pode bloquear a navegação em estreitos internacionais, invocando o direito internacional.
+++ Moscovo propõe solução nuclear +++
A Rússia reiterou disponibilidade para receber urânio enriquecido iraniano, no âmbito de um eventual acordo entre Washington e Teerão.
+++ Escalada verbal entre Ancara e Telavive +++
A Turquia acusou Israel de procurar um novo adversário regional.
O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, criticou declarações do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que visavam o Presidente, Recep Tayyip Erdogan.
+++ Vaticano evita confronto político +++
O papa Leão XIV afirmou não temer a administração norte-americana e recusou entrar em confronto direto com Donald Trump.
+++ Operações militares no Líbano +++
O exército israelita declarou ter cercado a cidade de Bint Jbeil, bastião do movimento xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão, depois de uma ofensiva que terá causado mais de uma centena de mortos.
+++ Europa prepara missão em Ormuz +++
A França e o Reino Unido anunciaram planos para uma missão multinacional destinada a garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a iniciativa terá caráter “estritamente defensivo”.