O líder do PS/Açores, Francisco César, considerou hoje que a queda de um governo “não implica necessariamente eleições”, tendo rejeitado apresentar uma moção de censura ao executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM.
Francisco César, em declarações à Lusa e Antena 1 Açores, na sequência de um encontro com militantes em Ponta Delgada, e da atual crise política nos Açores, questionado sobre se subscreve o princípio do Presidente da República que a queda de um orçamento não implica a queda de um governo, referiu: “Nem a demissão de um governo implica necessariamente eleições”.
A 28 de abril, o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, referiu que os acordos de coligação entre os três partidos vigoram até 2028 e que nas próximas regionais o PSD concorrerá sozinho, declarações que foram consideradas pelo CDS-PP/Terceira como “causadoras da instabilidade governativa”, segundo um comunicado de 05 de maio.
Nas suas declarações de hoje, o dirigente socialista afirmou que, neste momento, não está em cima da mesa [uma moção de censura]”, sendo que o Governo Regional “tem uma oportunidade histórica que lhe foi dada quando o PS viabilizou, através de uma abstenção no orçamento”, a possibilidade de “ser este governo a resolver os problemas que criou”.
“O que irá acontecer é que se nós verificarmos que esse governo não resolve os problemas que criou, teremos de ser nós a arranjar forma de os resolver”, declarou o dirigente socialista, para salvaguardar que tem contribuído “não para a instabilidade política mas para a resolver”.
Questionado sobre se o próximo orçamento regional constitui uma oportunidade para avaliar as vantagens ou desvantagens de criar uma crise política nos Açores, Francisco César considera que o partido “acha que é sempre uma desvantagem”.
De acordo com o dirigente socialista, “só há crises políticas quando elas têm a perspetiva de resolver algo que é muito pior”, sendo que só se avançará “se o problema não tiver efetiva solução”.
Francisco César refere que vai analisar o próximo orçamento do Governo Regional e, “se ele for aceitável e sustentável”, manterá a mesma posição, caso contrário votar-se-á contra.
O líder regional socialista manifestou também preocupação com a “instabilidade governativa e com o efeito que está a provocar na economia”, dando o exemplo que o turismo “continua a cair mês após mês”.
Francisco César afirmou que “perto de 40% dos alojamentos hoteleiros dos Açores, em abri, não tiveram qualquer tipo de cliente”, sendo que a região “é a única com força turística onde isto está a acontecer”.
No contexto nacional, o dirigente manifestou preocupações com a agricultura face a “dívidas que o Governo da República tem em relação a apoios, nomeadamente do gasóleo agrícola, e apoios à inflação ainda dos apoios da Ucrânia”.
César lamentou que “essas ajudas nunca serão pagas”, e as que “foram transferidas para os Açores foi em troca dos rateios”, sendo que os apoios nacionais ao gasóleo agrícola excluem as regiões autónomas dos Açores e Madeira, o que “vai contra aquilo que o primeiro-ministro tinha dito e o presidente do Governo dos Açores tinha prometido”.