O presidente do parlamento iraniano alertou hoje que “os inimigos” da República Islâmica preparam-se para invadir uma das suas ilhas no golfo Pérsico, com a ajuda de um país da região.
“Segundo os serviços de informações, os inimigos do Irão preparam-se para ocupar uma das suas ilhas com o apoio de um Estado da região”, escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf nas redes sociais, sem mais detalhes.
O presidente do parlamento, uma das figuras mais influentes do país, recomendou aos EUA que “não testem a determinação do Irão em defender o seu território”, depois de notícias nos meios de comunicação norte-americanos sobre o envio de tropas adicionais para o Médio Oriente.
“Estamos a acompanhar de perto todos os movimentos americanos na região, especialmente o envio de tropas”, afirmou o político iraniano, ameaçando que infraestruturas vitais do Estado cúmplice, que não identificou, serão alvo de “ataques implacáveis” em retaliação.
De acordo com a imprensa norte-americana, o Pentágono ordenou o envio de mais de 2.000 paraquedistas norte-americanos para o Médio Oriente na terça-feira, para garantir “novas opções de ação”.
O jornal The New York Times indicou que a medida pode ser utilizada para tomar a ilha de Kharg, o principal centro de exportação de petróleo do Irão, ou a libertação do estreito de Ormuz, que se encontra sob ameaça militar iraniana há mais de três semanas, condicionando o transporte de 20% de petróleo e gás natural liquefeito do mundo, o que fez disparar os preços globais.
Somado aos cerca de 4.500 fuzileiros já a caminho da região, o destacamento da força de elite dos Estados Unidos eleva o número total de tropas terrestres adicionais para quase 7.000.
A estação pública Press TV noticiou que Teerão rejeitou hoje uma proposta de 15 pontos do Presidente norte-americano, Donald Trump, para terminar a guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.
“A guerra terminará quando o Irão decidir pôr-lhe fim, e não quando Trump assim o decidir”, anunciou a emissora, citando um responsável iraniano não identificado, depois de o Paquistão ter confirmado que entregou a proposta de Washington às autoridades de Teerão.
Depois disso, surgiram várias mensagens do Irão em tom de desafio à Casa Branca.
A Guarda Revolucionária avisou que qualquer prazo ou ultimato imposto pelos Estados Unidos ao Irão “constitui um ato de guerra” e tem como resposta ataques aéreos contra Israel.
O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Sayed Majid Mousavi, escreveu nas redes sociais que os ataques aéreos realizados nas últimas horas contra as cidades israelitas de Dimona e Haifa são “uma mensagem clara em resposta às ameaças americanas de dois e cinco dias”.
O oficial da força ideológica do Irão referia-se ao prazo de 48 horas apresentado no sábado pelo Presidente norte-americano para o Irão levantar o bloqueio ao estreito de Ormuz, sob ameaça de sofrer ataques contra as suas instalações energéticas.
Na segunda-feira, Trump prolongou este prazo para cinco dias, enquanto anunciava negociações em curso para encerrar o conflito, até agora negadas por Teerão.
Uma fonte militar ameaçou, por seu lado, em declarações à agência de notícias iraniana Tasnim, que, em caso de invasão, o Irão abrirá uma “nova frente” num estreito crucial para o tráfego marítimo global, que liga o mar Vermelho ao golfo de Aden.
Passagem fundamental para o canal do Suez, “o estreito de Bab al-Mandeb está entre os mais estratégicos do mundo, e o Irão possui tanto a vontade como a capacidade de gerar uma ameaça perfeitamente credível contra ele”, alertou aquela fonte.
O estreito abrange as águas do Iémen, onde os rebeldes Huthis, aliados do Irão, ainda não se envolveram no novo conflito no Médio Oriente, ao contrário do grupo xiita Hezbollah no Líbano.
“Se os americanos procuram soluções estúpidas para Ormuz, não devem acrescentar Bab al-Mandeb aos seus problemas”, avisou ainda a fonte militar.