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Desinformação por IA e violência orquestrada ensombram eleições no Bangladesh

Data de publicação
12 Fevereiro 2026
16:50

Uma avalanche de vídeos antigos apresentados como atuais, gravações manipuladas por inteligência artificial (IA) e falsos alertas de violência inundaram hoje as redes sociais do Bangladesh, lançando uma sombra sobre as eleições cruciais para o futuro do país.

“O conteúdo gerado pela inteligência artificial é a nossa maior ameaça. Mais de 50% desta desinformação tem origem fora das nossas fronteiras, onde não temos controlo”, declarou o chefe da Comissão Eleitoral, Nasir Uddin.

A difusão generalizada de desinformação enublou os primeiros comícios no país desde a revolta da juventude de 2024, num contexto em que as autoridades alertaram que a tecnologia representa um “grande desafio” que será difícil de evitar.

A dimensão do fenómeno foi documentada pelo jornal do Bangladesh The Daily Star e por organizações de verificação de factos como a Dismislab, a Rumor Scanner e a FactWatch, que identificaram quase 70 casos de notícias falsas amplamente disseminadas nas últimas horas.

Estas manobras têm sido vinculadas a atores de todo o espectro político representados nas urnas, incluindo a Liga Awami, o partido ilegalizado de Sheikh Hasina, e os principais candidatos nas eleições, como o Jamaat-e-Islami e o Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP).

Segundo os media, a desinformação circula sobretudo através do Facebook e do Telegram, as plataformas mais utilizadas no país, e procura influenciar uma população de mais de 170 milhões de pessoas que consomem a maior parte das suas notícias online.

Entre as mentiras mais difundidas estão os chamados conteúdos “zombies”, que ressuscitam vídeos de tumultos ou contagens de votos fraudulentas de eleições anteriores e os apresentam como acontecimentos em tempo real.

A isto juntam-se as “deepfakes”, vídeos que clonam as vozes dos candidatos para anunciar falsas demissões ou apoios a rivais pouco antes da abertura das urnas.

A estratégia de desinformação tem-se centrado em três frentes: fraude fictícia, confusão entre os eleitores e medo para desencorajar a participação dos cidadãos.

Segundo confirmou a EFE, as fotografias de apreensões de armas de 2024 tornaram-se virais, apresentadas como detenções de última hora em cidades como Feni, um distrito particularmente sensível porque as autoridades ainda estão a tentar recuperar pistolas e espingardas saqueadas durante a revolta de agosto passado.

Outras notícias falsas incluem vídeos que ligam partidos políticos a esquemas de extorsão e teorias da conspiração sobre violência orquestrada por alianças políticas.

Perante este clima de confusão, a Comissão Eleitoral pediu aos cidadãos que ignorem as redes sociais e se baseiem exclusivamente nos boletins oficiais, que serão divulgados regularmente durante a contagem dos votos.

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