As Nações Unidas condenaram hoje os mais recentes ataques russos na Ucrânia, que danificaram infraestruturas energéticas em várias regiões do país e deixaram quase 5.000 edifícios residenciais em Kharkiv e Odessa novamente sem aquecimento.
Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral, António Guterres, afirmou hoje que em Odessa (sul) “o bombardeamento interrompeu o abastecimento de água para quase 300.000 residentes”, segundo as autoridades locais.
O representante acrescentou que o coordenador humanitário da ONU para a Ucrânia, Matthias Schmale, condenou estes “ataques contínuos à infraestrutura civil”.
Segundo Dujarric, estes atos constituem “um ataque claro contra a população civil” e “devem cessar imediatamente”.
“Nos últimos dias, ataques e hostilidades deixaram mais de 50 civis feridos, incluindo crianças, especialmente na região de Kharkiv, entre as mais afetadas. Na cidade de Odessa, um escritório de uma organização humanitária também foi danificado”, disse o porta-voz.
Na noite passada, mais 2.600 prédios de habitação em Kiev ficaram sem aquecimento, na sequência de um novo ataque aéreo noturno das forças russas sobre infraestruturas energéticas um pouco por toda a Ucrânia, com 24 mísseis e 219 drones.
De acordo com o autarca da capital ucraniana, Vitali Klitschko, mais de mil edifícios já estavam sem aquecimento devido a outros bombardeamentos recentes.
As partes em conflito têm vindo há meses a atingir alvos semelhantes que provocam, de ambos os lados, interrupções no abastecimento de eletricidade ou gás às populações, algo agravado pelas temperaturas negativas na região.
Estes ataques mais recentes também forçaram o encerramento de escolas, dificultaram o acesso a cuidados médicos e prenderam pessoas idosas e pessoas com deficiência nos andares superiores dos edifícios, incapazes de descer a pé.
A organização não-governamental (ONG) Amnistia Internacional indicou que a Ucrânia perdeu mais de metade da capacidade de produção e 80% do país foi afetado por cortes de energia de emergência.
Civis e funcionários da ONG relataram que há blocos de apartamentos gelados, tubagens congeladas e rebentadas, elevadores parados, telemóveis descarregados e redes telefónicas interrompidas.
Muitos ucranianos dormem vestidos com o máximo de roupa possível, recorrem a fogões a querosene para aquecer tijolos e garrafas de água ou outras soluções de aquecimento perigosas, como montar tendas de acampamento dentro dos quartos e acender velas para combater o frio, descreveu ainda a Amnistia, num relatório recente.