O Papa recebeu hoje em audiência privada Marcelo Rebelo de Sousa, com quem conversou durante cerca de 25 minutos, numa conversa que abordou os efeitos do mau tempo no país e uma eventual visita do pontífice a Portugal.
“Eu agradeci-lhe muita carta e ela exprimiu a sua bênção especial para todos os que sofreram e para as comunidades em geral, surpreendido por serem tantos municípios a serem atingidos”, disse o presidente da República Portuguesa aos jornalistas, após o encontro que decorreu no Palácio Apostólico do Vaticano.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, além de um convite a visitar Portugal em 2027, nos 110 anos das Aparições de Fátima, em cima da mesa estiveram as mudanças políticas em Portugal, a guerra na Ucrânia, a situação na Europa e em vários países lusófonos, como Angola e Moçambique.
Questionado sobre a posição do Papa, o chefe de Estado disse que a mesma está “alinhada com todos os que estão preocupados com vários aspetos da situação internacional atual, como a instabilidade, a imprevisibilidade, a guerra, as consequências sociais e económicas”.
À saída da audiência, o presidente da República Portuguesa admitiu ter saído do encontro “com esperança” de que o Papa aceite deslocar-se a território nacional, apesar de não ter havido uma resposta verbal imediata.
“Em muitos casos, para ganhar tempo, diz que ‘sim’ com a cabeça, ou demonstra uma concordância gestual. E aí, eu não quero antecipar o Papa, mas fiquei com esperança”, afirmou.
O chefe de Estado traçou o perfil do novo pontífice, falado de “um estilo mais racional, mais matemático”.
Sobre a gestão dos casos de abuso sexual na Igreja Católica em Portugal, o presidente da República considerou que “neste momento é um tema que está a conhecer uma resolução justa relativamente a quem sofreu essas situações”.
A poucos dias do final do seu segundo mandato, Marcelo Rebelo de Sousa fez um balanço dos seus 10 anos em Belém, abordando temas como a eutanásia e a relação entre a sua fé e a decisão política.
“Sou católico, afirmo-me católico, fui aos atos de culto, tomei as posições próprias de um católico, mas, nas decisões, decidi sempre pôr-me na posição daquilo que pensava que era o sentido coletivo”, explicou.
O presidente da República admitiu “clivagens culturais na sociedade portuguesa” em temas como “a eutanásia, maternidade de substituição, o alargamento ou não da interrupção voluntária da gravidez, novas conceções de família, novas posições sobre o exercício das liberdades no domínio das convicções, das opiniões”.