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Papa recebeu presidente da República Portuguesa em audiência privada

Data de publicação
02 Fevereiro 2026
15:28

O Papa recebeu hoje em audiência privada Marcelo Rebelo de Sousa, com quem conversou durante cerca de 25 minutos, numa conversa que abordou os efeitos do mau tempo no país e uma eventual visita do pontífice a Portugal.

“Eu agradeci-lhe muita carta e ela exprimiu a sua bênção especial para todos os que sofreram e para as comunidades em geral, surpreendido por serem tantos municípios a serem atingidos”, disse o presidente da República Portuguesa aos jornalistas, após o encontro que decorreu no Palácio Apostólico do Vaticano.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, além de um convite a visitar Portugal em 2027, nos 110 anos das Aparições de Fátima, em cima da mesa estiveram as mudanças políticas em Portugal, a guerra na Ucrânia, a situação na Europa e em vários países lusófonos, como Angola e Moçambique.

Questionado sobre a posição do Papa, o chefe de Estado disse que a mesma está “alinhada com todos os que estão preocupados com vários aspetos da situação internacional atual, como a instabilidade, a imprevisibilidade, a guerra, as consequências sociais e económicas”.

À saída da audiência, o presidente da República Portuguesa admitiu ter saído do encontro “com esperança” de que o Papa aceite deslocar-se a território nacional, apesar de não ter havido uma resposta verbal imediata.

“Em muitos casos, para ganhar tempo, diz que ‘sim’ com a cabeça, ou demonstra uma concordância gestual. E aí, eu não quero antecipar o Papa, mas fiquei com esperança”, afirmou.

O chefe de Estado traçou o perfil do novo pontífice, falado de “um estilo mais racional, mais matemático”.

Sobre a gestão dos casos de abuso sexual na Igreja Católica em Portugal, o presidente da República considerou que “neste momento é um tema que está a conhecer uma resolução justa relativamente a quem sofreu essas situações”.

A poucos dias do final do seu segundo mandato, Marcelo Rebelo de Sousa fez um balanço dos seus 10 anos em Belém, abordando temas como a eutanásia e a relação entre a sua fé e a decisão política.

“Sou católico, afirmo-me católico, fui aos atos de culto, tomei as posições próprias de um católico, mas, nas decisões, decidi sempre pôr-me na posição daquilo que pensava que era o sentido coletivo”, explicou.

O presidente da República admitiu “clivagens culturais na sociedade portuguesa” em temas como “a eutanásia, maternidade de substituição, o alargamento ou não da interrupção voluntária da gravidez, novas conceções de família, novas posições sobre o exercício das liberdades no domínio das convicções, das opiniões”.

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