A Concelhia do Funchal do Partido Socialista exigiu esta manhã ao executivo camarário do PSD/CDS a adoção de medidas urgentes e estruturadas para responder à crise de habitação no concelho.
A iniciativa decorreu junto ao Complexo Habitacional do Canto do Muro III evacuado em 2023 por razões de segurança e que, três anos depois, continua sem solução à vista, apesar das sucessivas promessas da autarquia.
Para a presidente da estrutura concelhia, Isabel Garcês, “o caso do Canto do Muro III é um símbolo do falhanço dos executivos liderados por Pedro Calado, Cristina Pedra e, agora, Jorge Carvalho num setor tão sensível como a habitação. A falta de respostas camarárias, num contexto em que os preços das casas atingem valores incomportáveis, está, a empurrar os funchalenses para fora do concelho e os jovens para casa dos pais”.
Os números apresentados pelo PS pintam um quadro preocupante. “O Funchal é a terceira região do país onde as casas são mais caras, ao mesmo tempo que regista uma redução de 26% nas habitações disponíveis para venda”. “As que existem são num valor muito elevado e incomportável para os bolsos dos funchalenses”, sublinhou Isabel Garcês, apontando ainda para os níveis de sobrelotação habitacional já muito acima da média nacional e com tendência a agravar-se. “A este cenário somam-se mais de duas mil famílias em lista de espera na SociohabitaFunchal e um número equivalente de inscrições para habitação de renda reduzida na Região”.
A presidente do PS-Funchal criticou ainda “a perda de oportunidades de financiamento do IHRU para a construção de 169 casas ao abrigo do programa ‘1.º Direito’, bem como a ausência de avanços na requalificação do edifício do Canto do Muro e do bairro de Santa Maria Maior. No contacto mantido esta manhã com moradores, o PS ficou ainda a saber que o edifício contíguo ao Canto do Muro III, ainda habitado, apresenta já fragilidades infraestruturais preocupantes, com fendas e problemas de humidade a gerarem alarme entre os residentes”.
Isabel Garcês alertou que, “com o agravamento dos preços, a crise habitacional deixou de ser um problema exclusivo das camadas mais vulneráveis para se tornar num flagelo transversal a praticamente todas as franjas da sociedade”.
A socialista apelou à tomada de medidas extraordinárias e a novos investimentos por parte da autarquia, sem mais demoras.