O secretário-geral do Juntos Pelo Povo (JPP) chama a atenção da população para a forma como o PSD/CDS “vai capturando organismos públicos que deveriam ser independentes e pautar a sua ação pela transparência, credibilidade e rigor, utilizando todas as artimanhas para controlar esses organismos em benefício do regime”.
O maior partido da oposição recorda que tomou a decisão certa quando recusou indicar qualquer representante seu para integrar o recém-criado Gabinete Autónomo da Transparência e Prevenção da Corrupção.
O PSD/CDS nomeram Alexandre Carvalho da Silva para dirigir o Gabinete, um militante do PSD. Uma nomeação envolta em polémica, desde logo pela militância, mas também devido a duas informações que foram públicas: a de que o respectivo coordenador iria receber 3.500 euros por mês de salário e, ao mesmo tempo, iria continuar a exercer advocacia.
Esta quarta-feira, na Assembleia Legislativa da Madeira (ALRM), o PSD/CDS aprovam a acumulação de funções, confirmando assim que se trata de um Gabinete sem credibilidade.
O líder da oposição diz que tem sido claro o posicionamento contra do partido sobre a acumulação de funções, mas acrescenta que, neste caso, a situação é ainda mais grave: “O PSD/CDS envolvem o Parlamento nesta encenação ao pedirem aos deputados que aprovem um requerimento para que o nomeado possa acumular funções e receber um salário por inteiro, mas dedicar ao combate à corrupção apenas os intervalos que a sua atividade de advocacia permitir, isto reduz o Gabinete à sua total insignificância e esclarece a forma como o PSD/CDS querem combater e prevenir a corrupção, colocando raposa a vigiar o galinheiro.”
“Não participaremos neste tipo de encenações e de fantochadas, do faz de conta que vai fiscalizar, reforçar a transparência e a prevenção da corrupção, porque a entidade que pode vir a ter que fiscalizar é a mesma que o fiscalizado criou e nomeou, não contem connosco para este teatro muito mal ensaiado”, sublinha Élvio Sousa.