MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Geógrafo / Colaborador Europe Direct Madeira

23/03/2026 03:30

Pois, boa pergunta! Agora, há que “engolir em seco” a mais recente trapalhada de Trump. Mais uma, diga-se, para juntar ao extenso rol de decisões desastrosas e incoerentes que marcam este segundo mandato.

Uma coisa é certa, já todos percebemos que os devaneios deste Trump 2.0 são para ser levados a sério enquanto atos de loucura, imbuídos de um risco muito sério de concretização. Mas infelizmente, dada a imprevisibilidade das suas decisões, torna-se difícil (quase impossível) antecipar as consequências, com a adoção de potenciais ações estratégicas preventivas.

Sobre os motivos destes constantes espetáculos circenses, importa dizer, em primeiro lugar, que não são os cargos que conduzem à transformação, mas antes as pessoas que os ocupam. Infelizmente, nesta Administração, falta muita massa cinzenta, faltam homens e mulheres dignos(as) das funções que desempenham. Depois, não podemos esquecer que se trata de um segundo e último mandato (em teoria), e isso terá conduzido (erradamente) ao esvaziamento de qualquer sentido de responsabilidade, bom-senso e humanismo. Na atual deriva imperialista deste homenzinho de idade avançada a quem muitos apontam uma severa senilidade, pouco interessam as consequências das suas ações! O que verdadeiramente importa é ser notícia, de preferência causando algum tipo de agitação nos media.

A mais recente incursão pelo Médio Oriente (prontamente criticada por alguns líderes europeus dotados de “dois dedos de testa” e bom-senso), tem-se revelado um perfeito desastre, tanto mais que, ao contrário das suas expetativas mais otimistas, não lhe foi possível encontrar no Irão, mais uma Delcy Rodríguez! Por conseguinte, vamos com três semanas de uma guerra, que faz-me recordar as sucessivas aplicações de tarifas no seu início de mandato, ou seja, alicerçada em decisões espontâneas, sem reflexão prévia, sem estratégia e sem objetivos válidos! Apenas prevalece a vontade e os desejos pessoais de um homem que, em pouco mais de um ano, aniquilou consensos táticos e desrespeitou o direito internacional (sucessivas vezes), ignorando, insultando, e até ameaçando os seus aliados. Creio que a história não ficará resolvida enquanto não conseguir juntar um 51º Estado, uma vez que “candidatos” não faltam: Canadá, Gronelândia, Venezuela, Cuba...

Mas assim não aconteceu e cá estamos todos nós, contribuintes, a sentir na pele os impactos de uma nova crise, iniciada única e exclusivamente pela dupla EUA-Israel, à margem do direito internacional, motivado por uma suposta ameaça que muitos peritos já desmentiram categoricamente.

Em suma, a UE está novamente a braços com uma crise, decorrente das suas vulnerabilidades no sector da energia. Neste contexto, acelerar a descarbonização da economia, reforçando o uso das renováveis, é uma inevitabilidade, mas guardo reservas sobre o tempo que tal caminho exige, situação agravada pelas atuais incertezas do contexto geopolítico internacional onde os EUA deixaram de ser um parceiro fiável com o qual a Europa possa contar, seja no âmbito da ONU, da NATO (pese embora aqui, tenha de admitir a minha desilusão com a verticalidade de Mark Rutte) ou em qualquer outra circunstância, enquanto Trump ocupar a Casa Branca.

Neste contexto, o nuclear tem ganho protagonismo e não pode ser visto como uma carta fora do baralho. E Von der Leyen deixou isso bem claro, na recente Cimeira da Energia Nuclear, em Paris. Perante a nova realidade, mais importante que assumir que o desinvestimento na tecnologia nuclear ao longo das últimas décadas foi um erro estratégico (VdL fê-lo!), o que verdadeiramente importa é definir orientações e estratégias de atuação, sabendo-se que o nuclear implica investimentos milionários e horizontes temporais de concretização significativos, a que acresce a gestão dos resíduos, a questão da aceitação pública, bem como o facto desta potencial inversão de rumo não corrigir, no imediato, as perturbações no abastecimento energético.

Marco Teles escreve à segunda-feira de 4 em 4 semanas.

OPINIÃO EM DESTAQUE
Geógrafo / Colaborador Europe Direct Madeira
23/03/2026 03:30

Pois, boa pergunta! Agora, há que “engolir em seco” a mais recente trapalhada de Trump. Mais uma, diga-se, para juntar ao extenso rol de decisões desastrosas...

Ver todos os artigos

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

Como encara a grande subida do preço dos combustíveis?

Enviar Resultados

Mais Lidas

Últimas