A Associação Sindical ASPP/PSP delegação regional diz que estudo científico publicado na revista Healthcare vai ao encontro das denúncias que esta estrutura tem feito há anos, sobre os riscos de saúde a que os agentes estão sujeitos.
O referido estudo analisou a saúde de 109 agentes do Comando Regional da PSP da Madeira e concluiu que quase metade dos participantes apresenta síndrome metabólica ou risco cardiovascular elevado.
“Esta situação confirma aquilo que a ASPP/PSP vem denunciando há anos: os profissionais da PSP estão sujeitos a condições de trabalho que comprometem seriamente a sua saúde física e mental. Os fatores de risco incluem stress crónico, trabalho por turnos, privação de sono e dificuldade em manter hábitos regulares de atividade física”, sublinha a ASPP/PSP em comunicado enviado ao JM na sequência da publicação online, da notícia da Agência Lusa.
Adelino Camacho, dirigente da ASPP/PSP na Madeira, considera os dados agora conhecidos “alarmantes” e confirmam que “os profissionais da PSP estão a ser sujeitos a condições de trabalho que colocam seriamente em causa a sua saúde”.
“Não é aceitável que quase metade dos agentes apresente síndrome metabólica ou risco cardiovascular elevado. Esta realidade é o resultado direto de anos de desvalorização da profissão, de horários desregulados, excesso de trabalho, falta de descanso e ausência de políticas eficazes de saúde ocupacional”, sublinha.
O responsável defende que “o stress crónico, o trabalho por turnos e a privação de sono não podem continuar a ser ignorados pelas entidades responsáveis. Estamos perante um problema estrutural que exige respostas imediatas”.
“O novo ministro da Administração Interna tem aqui um desafio enorme. Não basta, por si só, aumentar remunerações ou criar benefícios se, ao mesmo tempo, a saúde física e mental dos policias continua em risco. A valorização da profissão tem de começar, desde logo, pela proteção efetiva da saúde dos seus profissionais”, acrescenta.
Adelino Camacho recorda uma longa luta “pela implementação de um verdadeiro regime de saúde e segurança no trabalho na PSP”.
“Infelizmente, continuamos a ser, no contexto europeu, uma das poucas, senão a única, polícia que ainda não dispõe de um sistema plenamente aplicado nesta matéria, o que é incompreensível e inaceitável”, lamenta o polícia.
A ASPP/PSP exige assim “a implementação urgente de medidas concretas, nomeadamente o reforço efetivo da medicina do trabalho, a criação de programas de acompanhamento de saúde específicos para os polícias e uma reorganização séria dos horários de serviço que respeite os direitos e o bem-estar dos profissionais”.
“A saúde dos polícias não pode continuar a ser sacrificada. Quem garante a segurança dos cidadãos tem de ver garantidas, antes de mais, condições dignas para exercer a sua função”, reforça Adelino Camacho.