Pelo menos quatro pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas na Ucrânia durante intensos bombardeamentos russos realizados durante a noite que causaram medo e destruição na capital do país, segundo o último balanço das autoridades.
Jornalistas da AFP testemunharam o bombardeamento maciço da capital, efetuado poucos dias depois de um ataque ucraniano mortal a uma residência estudantil em Lugansk, região ocupada pela Rússia, ao qual o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu uma resposta militar.
Após uma noite de explosões, as ruas ficaram cobertas de escombros, vários edifícios de habitação foram gravemente danificados e um centro comercial completamente destruído pelo fogo.
Sofia Melnychenko, de 21 anos, pensava estar em segurança no metro, “mas depois houve três fortes explosões e, após a quarta, o teto do metro começou a desabar”, segundo contou à AFP.
“Foi o caos total. As crianças começaram a gritar, as pessoas entraram em pânico”, continuou.
Quando um incêndio começou num centro comercial próximo, Sofia receou que o fogo se alastrasse à estação de metro ou que o fumo conseguisse entrar no subterrâneo. “Foi uma noite verdadeiramente aterradora”, acrescentou.
O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, relatou danos em todos os distritos causados pelos ataques russos que envolveram “90 mísseis e 600 drones”, dos quais 55 e 549, respetivamente, terão sido intercetados, de acordo com o exército ucraniano.
Moscovo utilizou o seu míssil balístico hipersónico Oreshnik, de alcance intermédio e com capacidade de transportar ogivas nucleares, disse o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
“Três mísseis russos atingiram as infraestruturas de abastecimento de água, um mercado foi incendiado, dezenas de edifícios residenciais foram danificados, várias escolas foram destruídas e ele (Vladimir Putin) lançou o seu míssil Oreshnik contra Bila Tserkva [a 80 quilómetros a sul de Kiev]. São verdadeiramente loucos”, acusou.
“São necessárias decisões dos Estados Unidos, da Europa e de outros países para que este velho lunático em Moscovo pronuncie finalmente a palavra ‘paz’”, disse ainda Zelensky.
O Museu Nacional de Arte, a Ópera, a sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o edifício dos estúdios das estações de rádio e televisão públicas alemãs ARD e Deutsche Welle (DW) e o escritório da Organização Mundial de Saúde (OMS) ficaram danificados pelos ataques.
O Museu Nacional de Chernobyl, dedicado ao acidente nuclear, que se situa em Kiev, também foi “destruído”, segundo o presidente da Ucrânia.
Os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, bem como a Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha e Portugal condenaram o “ataque massivo” russo contra a Ucrânia.
“O ataque massivo da Rússia à Ucrânia na noite passada mostra a brutalidade do Kremlin e o seu desrespeito tanto pela vida humana como pelas negociações de paz”, escreveu a líder do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, na rede social X.
Esta terá sido a terceira vez que o míssil Oreshnik, com capacidade de transportar ogivas nucleares ou convencionais, foi utilizado na Ucrânia.
As negociações sob mediação dos Estados Unidos para pôr fim ao conflito estão paradas desde o início da guerra no Médio Oriente.