O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir (extrema-direita), criticou hoje o Presidente israelita, Isaac Herzog, que denunciou a “brutalização” da sociedade israelita e chamou aos colonos violentos da Cisjordânia uma “multidão sem lei”.
“Um presidente que chama centenas de milhares de cidadãos do Estado de Israel bestas não merece ser presidente. Ponto final”, escreveu na rede social X Ben-Gvir, que também é um colono na Cisjordânia e incita à violência neste território palestiniano.
Num discurso numa cerimónia de entrega de prémios em Jerusalém, Herzog declarou que uma “terrível vaga de violência levada a cabo por uma multidão sem lei está a ocorrer na Judeia e Samaria”, termo pelo qual as autoridades israelitas se referem ao território palestiniano ocupado da Cisjordânia.
O Presidente israelita também denunciou um “terrível processo de brutalização” nas margens da sociedade israelita, existindo, segundo ele, aqueles que normalizaram a violência e até aqueles que a celebram e se orgulham dela.
No final do discurso, Herzog disse que Israel deve traçar linhas vermelhas: “É proibido abusar dos detidos, por mais desprezíveis que sejam. É proibido tomar a lei nas próprias mãos. É proibido causar danos a pessoas de outras denominações religiosas e aos seus símbolos”.
“Não podemos tolerar esta brutalidade que surge das margens da nossa sociedade e nos ameaça a todos”, concluiu.
Ben-Gvir reside como colono ilegal na Cisjordânia e, como ministro da Segurança Nacional, está responsável pelo sistema prisional israelita.
Os colonatos são considerados ilegais à luz do Direito internacional.
Em várias ocasiões, o governante defendeu a sua gestão das prisões, baseada no endurecimento das condições dos prisioneiros palestinianos, marcada por tortura, agressões sexuais e privação de sono, alimentação, higiene ou medicamentos.
O chefe da Segurança Nacional filmou-se recentemente a humilhar detidos da flotilha Global Sumud em Ashdod (sul de Israel), desencadeando uma forte condenação internacional por estas ações que o próprio primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, rejeitou.
Como resultado desse vídeo, a França proibiu Ben-Gvir de entrar no seu território, algo que outros países como Reino Unido, Países Baixos, Polónia e Eslovénia já tinham feito antes.