Desde os tempos mais remotos o homem sempre se questionou. Quem sou eu? De onde vim? Qual o sentido da vida?
Teve dúvidas, teve anseios e muitos medos.
Criou os deuses para explicar as forças do universo, as tempestades, os ciclos da vida e a morte.
Cedo percebeu que a espécie humana é completamente diferente das outras espécies animais.
As outras crias, assim que nascem, logo dão os primeiros passos no sentido de se fazerem à vida e de se autonomizarem dos progenitores.
Nós, os humanos, levamos tempo. Alguns quase metade de uma vida.
E é precisamente por esta singularidade da nossa espécie, que precisamos do colo dos pais por mais tempo, de sentir que são o porto seguro, onde podemos sempre regressar.
Os pais cuidam de nós. Estão atentos, disponíveis e sempre prontos para ajudar nas dificuldades. Quando os pais envelhecem os papéis invertem-se, naturalmente. Este cuidar uns dos outros é também um traço que nos distingue e diferencia. Essa diferença foi percebida quando foram encontradas ossadas humanas, em que havia sinais de fraturas de pernas cicatrizadas. Um sinal da civilização, da humanidade, este do cuidar e de interajuda. Cuidámos uns dos outros, sempre e desde sempre.
É verdade que depois de sairmos, quando regressamos, a casa já não é a mesma. Ou pelo menos não a sentimos como tal. Entretanto, vimos mundo, crescemos e somos outros. Somos mais autónomos e precisamos do nosso espaço.
Contudo, quando construímos a nossa família levamos connosco memórias, os modelos de casa, da nossa família. Levamos os rituais do Natal, as festas de aniversário, as férias, as conversas e os abraços. São boas lembranças que caminham connosco e dão sentido à vida. Aquecem-nos o coração.
Quem hoje tem filhos, filhos bebés, filhos pequenos, filhos adolescentes ou filhos jovens, tem a oportunidade de fazer deles, pessoas. Bons seres humanos. Tem a possibilidade de criar com amor, com empatia, com comunicação, com disponibilidade. Mas também com regras e com limites.
É um trabalho desafiante?
Claro que é!
Mas é a vida a acontecer.
E a vida vale muito a pena ser vivida com o melhor que tem.
A família!