Ao contrário de outros municípios, estes profissionais consideram que pouco ou nada tem sido feito para apostar num apoio importante no combate ao crime e delinquência que se verifica na cidade.
"Neste momento, somos cinco na zona do Funchal, a lutar contra tudo e contra todos. Estamos a ajudar quem precisa, na medida do possível. É o que podemos fazer, mas também precisamos de apoio", revela Elvis Abreu, um dos guardas-noturnos da capital madeirense.
E isso não "tem acontecido, principalmente por parte da Câmara, que, nesta altura, podia ter um aliado na defesa e segurança da cidade", continua.
Aumento da delinquência
Nos últimos tempos, a Cidade do Funchal parece uma cidade deserta e fantasma durante a noite, contudo, nem tudo parece calmo e sereno como as noites indicam e fazem prever.
A pandemia obrigou à maioria da população a recolher obrigatoriamente a casa, mas há alguns que desafiam as autoridades e até a saúde pública, facto consubstanciado com o "aumento dos assaltos e roubos por arrombamentos verificados no Funchal".
Em cada noite escura e sem som de outros tempos, os guardas-noturnos emergem nas estradas vazias, nas ruelas sinistras, nos locais escuros.
São, muitas vezes, os olhos dos mais fracos, daqueles que ficam com danos no património e até com danos no seu corpo. São a "segurança dos comerciantes", que não têm meios para pagar os serviços, pois estão fechados", ressalva.
Apesar de dia a dia, noites inteiras, sete dias por semana, andarem um pouco desprotegidos, estes profissionais garantem que a noite não está assim tão calma. A delinquência mantém-se, embora sem números de outros tempos. "Não se pense que os assaltos, os roubos e até a destruição de bens dos outros acabaram. Nem por isso", revela Elvis Abreu.
"Apesar do magnífico trabalho feito pela PSP e por todo o seu departamento de investigação na Cidade do Funchal, os ladrões estão na rua. Na verdade, a PSP tem-nos apanhado nos últimos dias, mas os assaltos continuam!", refere este profissional da segurança. Todos, PSP, guardas-noturnos e outras autoridades são precisos nesta luta.
O JM contatou a Câmara Municipal do Funchal em meados de fevereiro para uma reação, e até hoje não recebeu qualquer resposta sobre este assunto.
Polícia Municipal traz mais despesa
Todavia, as maiores criticas vão para a autarquia. "A Câmara Municipal do Funchal, ao contrário de outras do País, não reúne com os guardas-noturnos há dois anos". Nem mesmo em tempo de pandemia ", pois os guardas-noturnos podiam ser uma mais-valia para a segurança da cidade e para um menor custo para a própria autarquia no futuro. Criar a Polícia Municipal só vai trazer mais despesa e encargos para os comerciantes. Neste momento, os comerciantes precisam de apoio, de segurança, e isso podia ser feito com o apoio da Câmara aos guardas-noturnos. Mas nada, prefere ver a delinquência e os empresários desesperados, bem como a cidade depilada". afirma.
Por Paulo Graça