Filipe Sousa, deputado único do JPP na Assembleia da República, acusa o PSD de querer instrumentalizar a Madeira em estratégia geopolítica externa
O parlamentar criticou, hoje, a intenção do PSD de propor a Madeira como “pilar da defesa europeia no Atlântico”, considerando que a iniciativa levanta “sérias dúvidas quanto às verdadeiras prioridades para a Região”.
Para o deputado, “a Madeira não pode ser transformada numa peça de xadrez num jogo geopolítico internacional cada vez mais instável”. Filipe Sousa alerta que, num contexto global marcado pelo regresso de discursos nacionalistas e imperialistas, como os protagonizados por Donald Trump, “é fundamental proteger a autonomia regional e evitar o alinhamento automático com estratégias externas”
“O que está em causa é saber se estamos a defender os madeirenses ou a posicionar o território como ativo estratégico ao serviço de interesses que não são os nossos”, afirmou.
O deputado sublinha que a Região “não pode ser transformada num posto avançado em disputas entre potências, nem utilizada como plataforma simbólica para alimentar ambições partidárias”. “A Madeira é uma Região Autónoma com pessoas reais e problemas concretos que continuam por resolver”, frisou.
Entre as prioridades que o JPP considera urgentes, Filipe Sousa destaca: a redução dos elevados custos de mobilidade aérea e marítima; a diminuição da dependência estrutural do exterior; o combate às fragilidades económicas e sociais persistentes; o reforço dos serviços públicos essenciais.
Para o deputado, a prioridade política deve centrar-se no fortalecimento da autonomia, na coesão social e no desenvolvimento sustentável da Região. “Não precisamos de narrativas grandiosas nem de bandeiras estratégicas que desviem atenções. Precisamos de soluções concretas para os problemas dos madeirenses”, afirmou.
Filipe Sousa alerta ainda para o “risco de que uma maior integração da Madeira numa estratégia de defesa europeia possa abrir espaço à influência externa na definição de prioridades regionais”. “A Madeira deve afirmar-se pelos seus direitos constitucionais e pela sua autonomia efetiva, não como extensão de agendas imperiais, sejam elas de Washington, Bruxelas ou qualquer outro centro de poder”, esclareceu.
O JPP reafirma que defender a Madeira significa “garantir mobilidade justa, um regime fiscal adequado, investimento produtivo e proteção efetiva dos interesses da população”. “A Madeira não precisa de ser pilar militar de ninguém. Precisa de ser pilar de desenvolvimento, justiça territorial e autonomia real. Essa é a defesa que verdadeiramente importa”, concluiu o deputado.