A Madeira está em destaque na exposição ‘Habitar Portugal 1974–2024’, patente no Centro Cultural de Belém, numa mostra que reúne 100 obras selecionadas pela Ordem dos Arquitetos e que traça um retrato da arquitetura portuguesa ao longo de cinco décadas de democracia. Entre os projetos escolhidos, cinco localizam-se na Região Autónoma da Madeira, sublinhando a relevância da produção arquitetónica insular no contexto nacional.
Como destaca a secção regional da AO, no Eixo 1 — Arquitetura como Gesto Político, integra-se o Conjunto Habitacional da Madalena II, no Funchal, da autoria de Duarte Cabral de Mello, Maria Manuel Godinho de Almeida e João Francisco Caires. A obra evidencia a dimensão pública da habitação coletiva enquanto instrumento de consolidação urbana, refletindo a arquitetura como resposta social e política às necessidades da população.
Já no Eixo 2 — A Persistência da Memória, destaca-se o antigo Matadouro do Funchal, hoje Centro Cultural e de Investigação, projeto de Freddy Ferreira César. A intervenção converte património industrial em infraestrutura cultural contemporânea, reafirmando o valor da memória construída como elemento estruturador da cidade.
É no Eixo 3 — Ruturas e Novas Configurações que a Madeira assume particular expressão. O Hotel e Casino do Funchal, concebido por Oscar Niemeyer e Alfredo Viana de Lima, surge como marco da modernidade e peça determinante na afirmação urbana e simbólica da cidade no período democrático.
Integra igualmente este núcleo a Casa das Artes – Casa das Mudas, na Calheta, de Paulo David, obra que aprofunda o diálogo entre arquitetura e paisagem no contexto insular. Por fim, o Navio Azul, no Funchal, da autoria de Marcelo Luiz Correia de Lima Costa, consolida uma presença arquitetónica forte na frente marítima, contribuindo para a redefinição da imagem contemporânea da cidade.