Pedro Calado era um dos nomes mais aguardados para subir ao púlpito no Congresso Regional do PSD, que decorre hoje e amanhã no Madeira Tecnopolo.
Fortemente aplaudido, o antigo autarca, que está de regresso à Comissão Política, confessou que já tinha saudades da vida política. “Confesso que tinha saudades. Confesso que é esta a minha casa, é aqui que eu me sinto bem, é no meio de vós e é por vós”.
Depois, o antigo autarca não se escusou a falar da detenção de que foi alvo em janeiro de 2024. Foram feitas “detenções políticas com base em objetivo político-partidários”, afirmou, destacando a dada altura do seu discurso, que as dificuldades pelas quais passou o tornaram mais forte.
“Aceitei estar hoje aqui uma vez mais porque quero continuar a lutar pelo nosso PSD, pela nossa Madeira e pelos madeirenses. Senti hoje que era a altura para falar. Durante dois anos estive calado”, mas foram anos de reflexão, afirmou considerando que o que lhe foi feito foi injusto. O membro da comissão política clarificou que o seu regresso não é sinónimo de “qualquer pretensão a qualquer lugar”.
Ao longo do discurso, destacou-se também a valorização da identidade madeirense e a defesa da autonomia regional. Pedro Calado insistiu na ideia de que a Madeira tem sido um exemplo a nível nacional, quer no plano económico, quer no turismo, sugerindo que o sucesso da região tem gerado incompreensão e até ataques externos. Neste contexto, apelou à união dos madeirenses e à necessidade de defender a região com orgulho e firmeza.
Internamente, o discurso teve igualmente um tom de aviso. O dirigente social-democrata criticou comportamentos que considera prejudiciais ao partido, como divisões internas, oportunismo e falta de coragem política. Defendeu que o PSD deve ser um espaço de lealdade, disciplina e trabalho coletivo, onde os interesses comuns se sobreponham às ambições individuais.
Outro ponto relevante foi o apelo a uma maior capacidade reformista no plano nacional. Pedro Calado manifestou preocupação com aquilo que considera ser uma paralisia do país, defendendo reformas estruturais e criticando a influência de minorias e entraves judiciais na governação.
Na parte final, deixou uma mensagem de esperança e resiliência. As dificuldades enfrentadas, segundo afirmou, tornaram-no mais forte e mais consciente, servindo agora de exemplo para as novas gerações. O discurso encerrou com um apelo claro à unidade, à preparação do futuro e ao reforço da identidade do PSD como força política central na Madeira.