Virando a página, rumo a 2022!

 

Há qualquer coisa de especial no mês de dezembro! Além do frio que nos aconchega, ninguém conseguirá ficar indiferente à azáfama da quadra que se avizinha. Crentes ou não nas religiosidades cristãs, e ao contrário de outras batalhas destes tempos atribulados que vivemos, ninguém quer estar imune às tradições natalícias, onde os convívios familiares são o ponto alto das celebrações, rumo à tão ansiada passagem de ano e à afirmação de um infindável rol de resoluções de Ano Novo, ainda que, neste domínio, se recomende contenção e prudência: objetivos sem um plano, não são mais que meros desejos! Como tal, inconsequentes…

 

Neste espaço dedicado aos assuntos europeus, tenho trazido algumas reflexões sobre temas que considerei importante partilhar. Mas neste último artigo do ano, não consigo resistir à tentação de fugir à análise técnica de um tema marcante da atualidade europeia. E haveriam tantos por escolher: a tensão nas fronteiras externas da UE, com o surgimento de novas crises humanitárias, como a que se vive na fronteira com a Bielorrússia, governada pelo regime desumano de Lukashenko que, após uma reeleição duvidosa (não reconhecida pela UE), continua a insistir no corte do abastecimento de gás à Europa(!); a quinta vaga (já perdi a conta…) do estúpido vírus que nos ensombra há quase dois anos e a incapacidade de se alcançar um combate equilibrado à escala global, numa altura em que já se ultrapassou a barreira dos 5 milhões de vítimas mortais (números que ainda assim parecem não demover os ”negacionistas” mais radicais, para quem a pandemia é uma farsa montada não-se-sabe-bem-por-quem…); o fim da era Merkel e as incertezas sobre a eficiência da “coligação semáforo” liderada por Olaf Scholz; a recente reunião da direita europeia mais extrema, em defesa de uma incoerente “União das Nações” onde as orientações europeias sejam renegados para segundo plano, ou por outras palavras, a defesa intransigente dos nacionalismos puros e duros; a vontade dos portugueses (e dos restantes europeus) abolirem as moedas de um e dois cêntimos através do arredondamento para os cinco cêntimos mais próximos, de acordo com os resultados do eurobarómetro da Comissão Europeia…

 

Enfim, a lista sobre temas europeus é realmente infindável! Mas é precisamente sobre esse ponto que gostaria de me debruçar: a existência de um rol enorme de assuntos que, por uma qualquer razão, pura e simplesmente não são notícia, ou sendo, não suscitam grande interesse junto da opinião pública.

 

Guardo para mim a convicção que estamos a retroceder nesta matéria. Talvez seja pelo jargão que muitos políticos e (pseudo) especialistas, teimam em utilizar quando se pronunciam sobre as temáticas europeias, mesmo que isso resulte no desinteresse dos cidadãos sobre assuntos que, não sendo difíceis, nem exclusivos de uma elite de intelectuais, revelam-se até muito úteis para o seu dia-a-dia. Mas também admito que as próprias instituições europeias poderiam simplificar ainda mais a informação que divulgam nos seus canais de comunicação.

 

Juncker dizia que "a Europa foi e continua a ser uma opção" e não será preciso ler as entrelinhas para perceber o significado desta afirmação. A Europa, ainda a braços com a pandemia e os seus efeitos secundários, tem no Next Generation EU e no Pacto Ecológico Europeu, um instrumento financeiro e uma estratégia, respetivamente, que poderão constituir o cimento "especial" que faltava para consolidar o projeto europeu. Mas nada se fará verdadeiramente sem o envolvimento dos cidadãos. Por isso mesmo, comunicar bem e sem subterfúgios tem de ser a palavra de ordem, sendo válido para as instituições, mas também para os cidadãos. Porque o futuro da Europa a todos pertence.