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Artigo de Opinião

Médico-Dentista

8/03/2026 08:00

Tempos houve em que não havia trabalho em Portugal. Não havia. A malta procurava, procurava, procurava e não encontrava. Já hoje, não trabalha quem não quer. Palavra de honra. Mesmo com a desenfreada imigração, a taxa de desemprego é de 5,6%, valor esse que não é nada mais nada menos que o mínimo histórico desde 2002. Com isto, dou comigo a pensar o que anda a fazer tanto português por esse mundo fora!?

Bem, uns eu sei. Foram à procura de melhores condições. É justo. Surgiram propostas de trabalho irrecusáveis. Pronto! Já outros foram por conveniência. Foram por serem mais espertos que os outros. Tirando os influencers, claro. Esses são uma classe à parte... Mas refiro-me antes aos empresários que se aperceberam que se se mudassem para o Médio Oriente, os benefícios fiscais seriam enormes. E desengane-se quem achar que a culpa é só deles. Quem desenha a nossa carga tributária com tanta força não pode ficar de fora deste quadro... O problema é que os tais “desertores”, que fizeram as malas à procura de impostos melhores, foram os primeiros a pedir ajuda ao governo português para serem repatriados. Vi alguns indignados. Que tinham sido abandonados pelo estado. Que a embaixada não lhes dava resposta. Que se sentiam portugueses de segunda. É preciso ter lata, não?

Da mesma forma que se meteram, tirem-se. Aposto que vão dar um jeito!

Até porque não há mãos a medir. O nosso primeiro já disse que os pedidos continuam a “aparecer a todo o momento” e de “vários países da região”. Para além disso, o secretário de estado das comunidades já disse também que estas viagens vão ter um custo. “Ninguém deixará de viajar por falta de dinheiro, mas faz parte dos regulamentos”. Mais. “Ninguém deixa de vir nem é obrigado a pagar nem à partida nem à chegada. O que nós estamos a dizer às pessoas é que depois terão de reembolsar o Estado português dessa verba. Mas ninguém deixará de viajar por falta de dinheiro”, vincou o governante, apontando para um custo de 600 euros por pessoa. E não digam que vão daqui! Ou querem ver que ainda lhes vão exigir uma declaração de não dívida à segurança social e ao fisco e o comprovativo do pagamento da água e da luz dos últimos três meses, mais ou menos como nos querem fazer?! Ah e tal, mas eles estão a fugir da guerra. Ok! E nós? Devem pensar que é fácil viver neste regime, não?

Mas vá. Deixemos a tristeza para trás. Falemos de coisas boas. Do Marítimo, por exemplo! Então não é que aqui há dias, durante um jogo, o capitão do maior das ilhas, com pés de veludo, ao fazer um corte, soltou um míssil que só parou na cara de um espectador. Das duas uma. Ou o ataque foi inesperado e apanhou o civil desprevenido e à conversa, ou este encontrava-se em zona de perigo e o sistema antimísseis não funcionou. Conclusão? Projétil em cheio no alvo redondo acima dos ombros do sócio nº 271. Felizmente a vítima escapou apenas com um forte abalo e uma ferida no sobrolho. Pior sorte tiveram os binóculos que habitualmente repousavam no nariz. Esses foram projetados e abatidos. Não satisfeita, a vítima não arredou pé. Recompôs-se, com a ajuda da Cruz Vermelha, e continuou a assistir ao espetáculo. Resultado? Viu, já sem as lunetas, o golo do empate do adversário. 1-1. Enfim. Já dizia o outro: “há dias de manhã que nem de tarde se deve sair à noite”.

E agora dizem vocês: “não se brinca com isso. São coisas que acontecem. Podia ser com qualquer um de nós”! Só que não... Garanto-vos. Se o azarado fosse, como eu, do União, isso não aconteceria. Ou pelo menos seria muito mais difícil. Não porque a qualidade dos intérpretes fosse muito maior, mas sim porque o mais certo era atingir uma cadeira vazia. Até nisso éramos diferentes... Para além do nosso adepto mais barulhento ser um mudo, nunca atacávamos zonas densamente povoadas. Pronto. Era uma opção. Que orgulho!

Mas voltando ao glorioso, com a ajuda do Alberto Oculista, decidiu ressarcir o sócio. Como? Dando-lhe um par de óculos novos. Pormenores? Eu não sei. Não sei se foram da coleção da Juliana Paes, se a armação é em betão armado ou se são para ver ao longe... Não sei! Desculpem. Não faço ideia. Até porque o adepto, no dia da entrega do cheque-oferta (dia do jogo seguinte em casa), não compareceu. Pudera. Na primeira todos caem, na segunda cai quem quer. Ele não quis. Eu entendo. Afinal de contas, quem tem orifício no fundo das costas, tem medo.

Que o diga o nosso eterno menino de ouro que em 41 anos de vida e quase 25 a jogar ao mais alto nível com poucas ou nenhumas lesões, rasgou agora a coxa e teve que abandonar a zona de conflito e deslocar-se para a zona de conforto. Imagino a frustração. Ainda aqui há dias dizia: “Eu estou muito feliz aqui, como já disse muitas vezes, eu pertenço à Arábia Saudita. É um país que me recebeu muito bem, a mim, à minha família, aos meus amigos. Estou feliz aqui, quero continuar aqui”. Só que já está em Madrid. Fino. Ficamos (eu e o Jesus) a torcer para que recupere depressa.

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