O Conselho de Segurança da ONU aprovou hoje uma resolução proposta pelo Bahrein que exige a cessação imediata de todos os ataques do Irão contra os países do Golfo.
A resolução, apoiada por dezenas de países, incluindo Portugal, obteve 13 votos a favor dos 15 membros do Conselho de Segurança e duas abstenções: Rússia e China.
O texto foi apresentado pelo Bahrein em nome dos Estados-membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que inclui Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU), assim como da Jordânia.
A resolução condena os ataques da República Islâmica do Irão contra os países vizinhos do Golfo e determina que tais atos constituem uma violação do direito internacional e uma grave ameaça à paz e segurança internacionais.
Condena ainda que as áreas residenciais tenham sido visadas e que os ataques tenham resultado em vítimas civis.
O texto apoia a integridade territorial dos países atacados pelo regime iraniano e exige a cessação imediata de todos os ataques contra países do Golfo Pérsico.
Exige igualmente que Teerão cesse “imediata e incondicionalmente” qualquer provocação ou ameaça aos Estados vizinhos, incluindo “o recurso a representantes”, e exorta o Irão a cumprir integralmente as suas obrigações perante o direito internacional.
A resolução aprovada não menciona os bombardeamentos iniciais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão que desencadearam o conflito.
Antes da votação desta resolução, 135 países, incluindo os Estados Unidos e Israel, assim como Portugal, o Reino Unido, a França e a Espanha, apoiaram esta iniciativa.
Segundo o embaixador do Bahrein na ONU, Jamal Alrowaiei, a votação demonstra a “unidade do Conselho de Segurança”.
“A mensagem é clara: a comunidade internacional mantém-se firme na sua rejeição a estes ataques injustos e hostis por parte do Irão”, declarou.
Nesta resolução, o Conselho também condena qualquer ação ou ameaça de Teerão “com o objetivo de fechar, obstruir ou de qualquer outra forma impedir a navegação internacional pelo Estreito de Ormuz, ou de pôr em risco a segurança marítima no estreito de Bab el-Mandeb”.
Teerão começou a bombardear os países árabes do Golfo Pérsico e a Jordânia, onde Washington mantém bases militares, em resposta ao ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o país no final de fevereiro, que provocou mais de mil mortos, incluindo o líder supremo, ‘ayatollah’ Ali Khamenei, e grande parte da sua liderança militar.
Na mesma reunião do Conselho de Segurança da ONU foi a votos um projeto de resolução proposto pela Rússia, mais curto e genérico em relação ao do Bahrein, e que não mencionava países individualmente.
O texto russo, porém, não foi aprovado, após ter recebido dois votos contra, incluindo o veto dos Estados Unidos - um membro permanente do Conselho de Segurança.
O documento russo mencionava a “trágica perda de vidas durante as hostilidades em curso” no Médio Oriente e instava todas as partes a cessarem imediatamente as suas atividades militares.
Incentivava ainda todas as partes a “retomarem as negociações sem mais demora” e a utilizarem plenamente os meios políticos e diplomáticos para solucionar a crise.
Contudo, vários diplomatas, como do Reino Unido, destacaram que a proposta de Moscovo “nada faz para abordar as preocupações daqueles que, na região, enfrentaram ataques não provocados e injustificáveis”.
A China votou a favor do projeto russo e absteve-se da resolução do Bahrein, argumentando que o texto aprovado pelo Conselho “não é equilibrado” porque o conflito foi iniciado pelos Estados Unidos e Israel “sem autorização e no meio de negociações”.
“Os Estados Unidos e Israel agiram sem autorização e, no meio de negociações, lançando um ataque (contra o Irão), o que constitui uma violação da Carta da ONU. Este conflito não tem legitimidade nem fundamento legal”, afirmou o representante chinês, instando Washington e Telavive a cessarem imediatamente as suas operações.
O embaixador acrescentou que Pequim “compreende as preocupações” dos países do Golfo, “cuja soberania deve ser respeitada”, e salientou que, embora tenha participado nas negociações em torno do projeto de resolução proposto pelo Bahrein, a China considera que “a proposta não reflete a situação de forma equilibrada”.