O ‘ayatollah’ Ali Sistani, a mais alta autoridade religiosa para milhões de xiitas no Iraque, desejou hoje sucesso ao novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, juntando-se a mensagens de apoio dos movimentos aliados de Teerão no Médio Oriente.
Em memória do falecido líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra o Irão, Sistani desejou sucesso ao seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, em “servir o grande povo iraniano, repelir o mal absoluto e preservar a unidade e a harmonia nacional”.
Mojtaba Khamenei foi escolhido no passado domingo por uma Assembleia de Peritos, mas o seu paradeiro é desconhecido desde o ataque que matou o seu pai e que vários relatos indicam tê-lo ferido com gravidade incerta.
Outros movimentos que constituem o chamado eixo da resistência apoiado por Teerão no Médio Oriente também expressaram hoje o seu apoio ao novo líder supremo iraniano.
O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, transmitiu ao novo guia supremo iraniano o compromisso das suas fileiras com a sua liderança, depois de o grupo xiita libanês ter iniciado ataques aéreos contra Israel, no seguimento da ofensiva israelo-americana no Irão e eliminação de Ali Khamenei, que jurou vingar.
“Confirmamos que continuamos comprometidos com a sua liderança, tal como estivemos com o líder e guia mártir [Ali] Khamenei e com o imã fundador [Ruhollah] Khomeini, firmes no apoio à religião, à verdade e à humanidade”, declarou Qassem numa carta ao novo líder iraniano, divulgada pela sua organização.
O clérigo e dirigente do Hezbollah manifestou ainda a sua esperança de que Khamenei atenda às aspirações do seu povo e dê continuidade ao caminho “doutrinário, político, moral e prático” trilhado pelo seu antecessor para orientar a população.
O Hezbollah, um aliado fundamental de Teerão, que o armou, financiou e treinou, está sob intenso ataque de Israel, em resposta aos seus lançamentos de projéteis, arrastando o Líbano para o novo conflito regional.
As autoridades de Beirute declararam na semana passada as atividades militares do Hezbollah como ilegais, após terem procurado nos últimos meses o seu desarmamento, ao mesmo tempo que lidam com os efeitos da ofensiva israelita, que já provocou pelo menos 634 mortos e centenas de milhares de deslocados, segundo o último balanço oficial.
O grupo palestiniano Hamas felicitou igualmente hoje a eleição de Mojtaba Khamenei e desejou-lhe êxito contra Israel e Estados Unidos.
Hazem Qasem, porta-voz dos islamitas, afirmou que o Hamas deseja a Khamenei “êxito na hora de concretizar a esperança do povo iraniano contra a agressão israelo-americana e evitar que as forças da arrogância mundial imponham a sua vontade ao Irão”, de acordo com o diário palestiniano Filastin.
O Hamas desencadeou os ataques de 07 de outubro de 2023 contra Israel, que levaram à guerra na Faixa de Gaza e ao envolvimento de outros aliados de Teerão, incluindo o Hezbollah e os rebeldes Huthis do Iémen.
O presidente do Conselho Político Supremo dos Huthis, Mahdi al-Mashat, já tinha felicitado na segunda-feira Mojtaba Khamenei pela “confiança obtida num voto unânime da Assembleia de Peritos”, ao mesmo tempo que elogiou o trabalho do seu pai, “um líder mártir”, especialmente durante esta “etapa crítica na história da República Islâmica do Irão, diante da brutal agressão dos Estados Unidos e de Israel”.
Destacou ainda que a eleição de Khamenei “é uma prova da força e coesão do Estado”, apesar da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, segundo a televisão iemenita al-Masirah, ligada aos Huthis.