O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse hoje que representantes iranianos apresentaram uma nova proposta de negociações apenas dez minutos após ter ordenado o cancelamento da viagem a Islamabad dos seus enviados especiais para dialogar com Teerão.
“Deram-nos [na sexta-feira] um documento que podia ser melhor e, curiosamente, [hoje] imediatamente após o cancelamento, em dez minutos recebemos um novo documento muito melhor”, declarou Trump à comunicação social, pouco antes de embarcar no avião presidencial Air Force One na Florida, rumo a Washington.
Mesmo assim, Trump pareceu indicar que estes últimos termos de negociação, recém-enviados pelo Irão após cancelada a viagem de Steve Witkoff e Jared Kushner ao Paquistão, também não o satisfizeram.
“Ofereceram muito, mas não o suficiente”, afirmou, sem fornecer mais pormenores.
Washington disse publicamente que há várias exigências ao Irão em relação às quais não transigirá nas negociações, entre as quais as relacionadas com o estreito de Ormuz e o programa de enriquecimento de urânio iraniano, que Trump exige que seja congelado durante 20 anos, além de instar Teerão a comprometer-se a nunca desenvolver uma arma nuclear.
Questionado sobre se considera prolongar novamente o cessar-fogo, como fez unilateralmente na passada terça-feira, Trump afirmou que “nem sequer” pensou nisso.
“Negociarei com quem estiver ao comando. Eles parecem não saber quem é e estão a lutar entre si. Principalmente, acho que estão a lutar para não serem líderes, porque eliminámos dois níveis da liderança deles. Se quiserem, podem ligar-me. Temos todas as cartas na mão. Ganhámos em tudo”, acrescentou Trump.
A decisão de Trump de cancelar a viagem de Kushner e Witkoff a uma segunda ronda de negociações com o Irão, mediada pelo Paquistão, ocorreu pouco depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, ter abandonado hoje a capital paquistanesa, em direção a Omã, após um dia de reuniões com autoridades civis e militares paquistanesas.
Araqchi tinha anteriormente negado qualquer intenção de se encontrar pessoalmente com os enviados de Washington.
Entretanto, Teerão mantém o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, e Washington, por sua vez, impede a passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
A 02 de março, Israel iniciou uma guerra com o Líbano, em resposta a um ataque do movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão, o que fez aumentar os receios de alastramento da guerra a todo o Médio Oriente.
Washington e Teerão acordaram a 07 de abril um cessar-fogo de duas semanas, para negociações assentes num plano de dez pontos de Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra.
O cessar-fogo foi a 21 de abril prorrogado por Donald Trump, horas antes de expirar, para o Irão apresentar o seu plano, que prevê o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo estreito de Ormuz.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o prorrogamento do cessar-fogo, afirmando tratar-se de “um passo importante rumo ao apaziguamento e à criação de um espaço fundamental para a diplomacia e a construção de confiança entre o Irão e os Estados Unidos”.