O mundo está confuso, cheio de informações contraditórias. Afinal, o que é certo ou errado? É como a criança que cresce na violência e fica confusa quando na escola, não lhe é permitido ser agressiva.
Claro que a educação que tivemos condiciona o modo como vemos o certo e o errado.
O crime de violação aumentou em Portugal.
A violação é o ato de forçar alguém a praticar atos sexuais contra a sua vontade, utilizando violência, ameaça grave ou aproveitando-se da impossibilidade de resistência da vítima. Em Portugal, é um crime previsto no artigo 164.º do Código Penal, punível com pena de prisão.
No último relatório, a violação atingiu o valor mais elevado da última década: 48 violações por mês, 11 por semana, sendo que, a cada dois dias, três pessoas são violadas. Na esmagadora maioria destes casos, as vítimas são mulheres. Para haver estatística, houve queixa. Também sabemos que as violações em meios familiares, na maioria das vezes, não são denunciadas. Os números devem ser ainda muito superiores. Há mais denúncias porque há mais informação, mas, ainda assim, muitas não fazem queixa por medo.
Não posso deixar de pensar que são séculos e séculos com meninas, jovens e mulheres a serem violadas. Revoltante...
A historiadora alemã Miriam Gebhardt estima que cerca de 870 mil mulheres alemãs tenham sido vítimas de violações cometidas pelas tropas vencedoras (Reino Unido, EUA e União Soviética) durante a Segunda Guerra Mundial e o período da ocupação. Os ditos salvadores e “bons” ganharam a guerra e depois violaram.
No século passado, a Mulher conquistou liberdade num mundo que era completamente dominado por homens. Uma das suas grandes conquistas foi poder dizer não, mas os violadores, ou aspirantes a tal, não aceitam.
Uma investigação recente da CNN Internacional expôs uma “academia de violação” online que tem como objetivo ensinar homens a sedar e violar mulheres e namoradas, tal como fez Dominique Pelicot, durante anos, à sua mulher. Parece uma loucura, mas este site foi visitado por 62 milhões de homens em 28 dias. Porquê e para quê?
Quando alguém viola, está a desumanizar o outro, mas também se está a desumanizar a si próprio.
Nesta crise de valores, a empatia torna-se subjetiva e independente de quem é vítima ou abusador. Ora se defende um, ora se defende o outro; o ato criminoso passou a ser uma falsa questão. Que confusão...
Cristina Ferreira e a psicóloga do seu programa fizeram m... ao tentar justificar/explicar algo injustificável. Justificar a ação de violar? Mas, em vez de pedir desculpa, recebeu flores de apoio e negou o seu erro. Todos nós cometemos erros. Pedir desculpa fará com que os que a rodeiam percebam que foi um erro; não pedir desculpa é dizer que um crime como a violação, neste caso a violação de uma jovem por um grupo, pode ter justificação...
A violação é crime! Imitando a trend do momento: os cães sabem que um biscoito na mão da dona só pode ser comido se ela disser “sim”.
Nada justifica uma violação. Nem a própria biologia humana. A violação não é uma estratégia reprodutiva normal, mas sim um comportamento desviante. Nenhum fator biológico justifica, desculpa nem torna inevitável. A violação é sempre um ato deliberado de violência, escolha e responsabilidade individual.
É preciso reeducar esta sociedade.
“Um povo culto é um povo livre!” — José Martí
“O homem distingue-se dos animais por ser o único que maltrata a sua fêmea.” — Jack London
“Cuidado, está ali um homem.” — O surpreendente silêncio dos homens, Rita Ferro