Há um momento certo para tudo, a paráfrase de um adágio tradicional é aplicável a tudo na vida, e na área da Saúde, particularmente na área do medicamento, essa é uma verdade insofismável.
Isto implica que um medicamento deverá ser utilizado mediante uma necessidade real, no momento apropriado. Este ponto é fundamental para o sucesso da terapêutica e como tal da sua efectividade para o paciente (observando aqui o confronto de eficácia versus efectividade de Archie Cochrane, ou seja, os resultados obtidos em ambiente de estudo versus utilização em mundo real).
Não é por um acaso, que no conceito do uso responsável do medicamento, a utilização do medicamento no momento certo, tem direito a ênfase e caracterização particular.
O Uso responsável do medicamento garante assim, o medicamento certo; na dose certa; no momento certo; no doente certo; ao preço certo.
Só assim conseguimos usufruir de todo o potencial do medicamento.
Sabemos bem que não existe tecnologia em Saúde que proporcione, mais anos à vida e mais vida aos anos. É um marco na existência humana a concretização dos medicamentos e sua utilização responsável.
Regressemos ao ponto inicial, no momento certo, quer efectivamente dizer que vamos utilizar o medicamento, quando necessitamos e que o medicamento é, à luz da evidência clínica e ou científica mais recente, o mais apropriado, por ser teoricamente o mais eficaz para a situação. Que esse medicamento é utilizado cronologicamente na hora do dia, e da forma que maior benefício traz ao doente. Mas não só, quando falamos do momento certo, temos de ter em consideração que o vasto arsenal terapêutico existente, nem sempre está disponível, quer sejam por contingências logísticas, sejam elas produtivas, quer resultem de opções de política da indústria, ou de mera burocracia processual, ou não cabimentação financeira. Quer isto dizer que o momento certo resulta também da disponibilização atempada a quem dele necessita.
Há um peso directo para o doente, quanto a não utilização no tempo certo diz respeito, logo “a priori”, podendo resultar, ou não, na progressão da doença, manifestação dos sintomas da mesma e outras complicações directas evitáveis da não toma, mas para além deste espectro temos todo o capital de expectativa da toma, por parte do próprio e familiares, que fica frustrado, levando a ansiedade e outros quadros mentais de negatividade, que agravam o seu quadro de saúde, sendo extensível a outros doentes com a mesma patologia e que se revejam na situação.
É fundamental, observar no uso responsável do medicamento, a disponibilidade, dispensa e acesso atempado aos medicamentos, é necessário desburocratizar, diminuir as barreiras legislativas à inovação, e na gestão do dinheiro público, ser criterioso, mas atender às verdadeiras necessidades da população, ninguém utiliza medicamentos, principalmente os mais específicos, diferenciados, inovadores e como tal caros, porque quer.
Muito pessoalmente continuo a ter dificuldade em compreender os 4180000 euros CNE (10 000 x IAS = €522,50 x 0,8) atribuídos enquanto subvenção pública às candidaturas das últimas eleições, se não houver cabimentação financeira atempada para medicamentos.