Passada uma semana da ida às urnas, continuamos sem saber quem será o próximo Presidente da República. No entanto, uma certeza nós temos. Quem não será, nós já sabemos! Sim, é certo que os apoiados pelos nossos líderes já ficaram pelo caminho... Miguel Albuquerque, sábio como de costume, apoiou apenas meio candidato! Se desse para o torto, a perda não era muito grande. Já o General Alberto João apoiou um candidato e meio. Nada mais, nada menos do que o Almirante Gouveia e Melo. Destacava, o primeiro, e enaltecia a vantagem, do segundo, não estar “misturado com os partidos”! Hum hum, sei... É quase caso para dizer: “quem o viu e quem o vê. Então não era para ser sempre no PSD?”. Não percebi. O que sei é que com essa brincadeira de passear na rua com os senhores a apelar ao voto, agora temos uma de três hipóteses! Ou não votamos. Ou votamos pelo seguro. Ou votamos na aventura! E se não votar não me parece boa opção, uma das outras duas não me parece melhor. Venha o diabo e escolha...
Por falar em diabo, então não é que aqui há dias um tipo se lembrou de pegar lume à estátua do melhor do mundo e começar a dançar como se estivesse a ter uma trombose no buraco ao fundo das costas?! O Ronaldo é que ardia e ele é que esperneava. Coitado. Ainda por cima ele fez questão de avisar primeiro: “isté o últime avise quêdou”. Pronto. Ok. Avisados que estávamos, só nos restava esperar para ver o que acontecia primeiro! Se o triste dava entrada no Trapiche ou se chegava aos ouvidos da Kátia e da Elma. Por sorte foi-se tratar (se é que tem cura) e escapou (até ver) ao destrato.
Destratados sentimo-nos, quase todos, foi com as novas regras do subsídio social de mobilidade. Então não é que andámos anos a fio a viajar por nossa conta? Palavra de honra. Quem podia ia todas as semanas. Quem não podia ir todas as semanas, ia de vez em quando. Quem não podia ir de vez em quando, não ia. Quem ia e queria ir em executiva, ia. Quem queria ir em económica, ia. Quem queria ir na casa de banho, ia.
Do nada, lembraram-se, e bem, do princípio constitucional que obriga o Estado a corrigir as desigualdades e custos de afastamento e insularidade. Conclusão? Solicitaram que fosse estabelecido um valor fixo e simpático para que pudéssemos atravessar o Atlântico sem ter que vender um rim, um ureter e meia bexiga. Nada mau. Ainda por cima não tínhamos que justificar o motivo de fazermos as malas.
Tanto podíamos ir por motivos de saúde, de lazer, profissionais ou porque sim. Íamos e pronto. As vezes que bem entendêssemos e nos apetecesse... Juro. Porém, não satisfeitos, quisemos mais. Queríamos isso tudo, mas sem termos que adiantar o remanescente! Sim, no fundo queríamos ter a oportunidade de acordar e decidir só se queríamos encher o depósito e ir dar uma volta à ilha ou se fazer o check in e sair da ilha.
Andámos, andámos, andámos até que conseguimos o que queríamos. O famoso SSM foi revisto! O problema é que eles fizeram-no, mas para pior. Se antes não era relevante um tipo ter contas pendentes com o Estado, agora passava a ser necessária uma certidão fiscal e da Segurança Social. E se o teto das passagens era de 400€, passou a ser de metade! Bonito serviço, não? Satisfeitos agora? Só que não. E o engraçado foi ouvir o Senhor Presidente do Governo Regional, que tanto reclamou dos moldes anteriores, afinal vir dizer que não se devia “mexer no que funciona”. Pudera. Para mau já estava bom e para bom já estava péssimo.
Pior só mesmo quando anunciaram o destino que decidiram dar às actuais instalações do Hospital Dr Nélio Mendonça. Aquilo que, em tempos, se pensou poder vir a ser reaproveitado para respostas sociais, vai afinal ser vendido e a receita resultante será para amortizar parte dos custos da construção do novo hospital. Para acabar com as dúvidas, Sua Excelência o Presidente foi claro: “Hoje não se pode instalar um lar num edifício que não foi concebido para esse fim. Isso implica custos excessivos e disfuncionalidades que não são sustentáveis do ponto de vista financeiro e funcional”. Correto. Se ainda fosse um campo de golfe... Ok! Mais buraco, menos buraco e estava um asilo bem feito. Assim vai ter que acabar, sei lá, num hotel. Porque não? Só peço é uma coisa. Se assim for, que fiquem com o recheio também. 2 andares são logo para as altas problemáticas.
Olhem, em último caso façam como fizeram com a marina. Entreguem isso ao Clube Naval que eles depois tratam de “trespassar” a quem de direito.
Só peço a Deus que o Trump não se lembre de ir ao mapa procurar mais ilhas. É que depois de aparentemente ver negada a compra da Gronelândia, pode virar-se para a Grunhelândia e aí a coisa muda de figura. Aqui não há nada que não se venda. Para um verdadeiro grunho, um grunho de gema, tudo tem um preço.
PS, estou com o Padre José Luís (estou, salvo seja) nas críticas ao novo Vinho de Missa. Ele entende que é usá-lo para “uma negociata”. Já o Bispo diz que o mesmo “não cai do céu” e tinha que ser comprado em algum lado. Na verdade, isso pouco me importa. Só fico aborrecido é que eles façam o movimento do brinde, mas nunca partilhem. E já agora, não foi Jesus que transformou a água em vinho?! Tinha ideia que sim. Pelos vistos alguém andou a faltar às aulas...
Pedro Nunes escreve ao domingo todas as semanas.