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Artigo de Opinião

Geógrafo / Colaborador Europe Direct Madeira

20/04/2026 03:45

Eu até esforço-me e tento não “cair em tentação” (leia-se, resistir à vil existência de Trump, ignorando as suas ações), mas não consigo. O tempo vai passando e dou por mim permanentemente angustiado com as comunicações imorais da Casa Branca e do seu deus menor. Não sendo um devoto acérrimo, incomodaram-me as brincadeiras feitas com IA (e defendidas de forma patética pelos lacaios da administração), envolvendo o Papa e os valores da igreja católica. Ninguém escapa à imoralidade de Trump: dos líderes religiosos aos chefes de estado, passando por empresários poderosos, desportistas de renome, ou referências insuspeitas da sétima arte, estrangeiros ou nacionais, ninguém está a salvo do veneno de um presidente descontrolado, para quem já se pede a destituição por insanidade mental. Mas enquanto os Estados Unidos não arrumam a sua casa, o mundo estrebucha e os cidadãos sofrem na pele as consequências de todos estes disparates.

Diz o povo que “as coisas são como são”, mas prefiro pensar que, muito, muito lentamente, aqui e além, à velocidade de um caracol, o universo vai dando sinais de mudança. A derrota pesada de Viktor Órban, a quem tantas vez me referi como “a pedra no sapato” da UE, foi de facto, uma excelente notícia para a Europa e um sinal de alerta para outro tirano (José Milhazes certamente não seria tão meigo na adjetivação) que permanece forte, lá para os lados da Rússia. Entretanto, entre distrações múltiplas, a China “soma e segue”, sorrateiramente, (re)posicionando-se no melindroso tabuleiro da geopolítica internacional, assumindo-se como uma peça cada vez mais influente e poderosa. Por comparação com 2024, no ano transato, as exportações da UE para a China diminuíram 6,5%, mas as importações aumentaram 6,4! Em resultado, o défice comercial ultrapassou os 350 mil milhões de euros, de acordo com a Eurostat.

Voltando ao tema das lideranças, continuo a achar que a UE tem uma líder sensata, competente e que assegura confiabilidade aos cidadãos europeus, o que nos dias que correm, são qualidades que não devem ser desvalorizadas. É certo que que já vi em Ursula von der Leyen um outro entusiasmo e vigor que hoje não me é tão percetível. Mas compreendo que uma coisa é partir de uma base sólida e projetar um futuro melhor para a Europa procurando novas metas estratégicas (o Green Deal, em 2019, por um bom exemplo), outra, completamente diferente, é gerir cenários de instabilidade, tentando projetar um futuro apoiado num presente incerto, sabendo que os compromissos internacionais são cada vez mais frágeis.

O problema energético que a Europa agora enfrenta poderá agudizar-se drasticamente, em função da evolução dos acontecimentos no Estreito de Ormuz (e dos problemas a montante!). Olhando para o cabaz energético da UE, ou seja, a gama de fontes de energia disponíveis (dados de 2024), 57% da energia usada é importada! Contudo, na produção de energia, as renováveis já representam a maior fonte de contribuição para a produção de energia (48%), seguindo-se do nuclear (28%), os combustíveis sólidos (15%), o gás natural (5%) e o petróleo bruto (3%).

Ciente da gravidade da situação e da imprevisibilidade reinante, a Comissão Europeia (CE) comprometeu-se a apresentar um novo Plano de Eletrificação, esperando-se que o Parlamento Europeu e o Conselho possam rapidamente dar início às negociações, após a sua apresentação oficial. A CE pretende ainda reduzir a tributação das tarifas energéticas, mas não podemos ignorar que estamos a falar de uma prorrogativa nacional, logo, qualquer tentativa de harmonização fiscal dentro da UE irá provavelmente encontrar algum tipo de resistência. Mas sejamos realistas, algo mais terá que ser feito (rapidamente), pois jamais poderemos ser realmente competitivos se não formos capazes de baixar significativamente o custo da energia, quer para empresas, quer para os cidadãos.

Marco Teles escreve à segunda-feira de 4 em 4 semanas.

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