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Artigo de Opinião

Diretor

9/12/2023 07:30

Basta ir ao supermercado e prestar atenção aos preços e aos olhares da maioria dos clientes. Mesmo gente que aparenta posses acima da média, faz contas à vida. Deita um olho aos produtos, outro aos preços. E, não raras vezes, opta pelo mais barato. Pela linha branca e pelas promoções.

As prateleiras de baixo, outrora as menos valorizadas, ganharam um súbito interesse. E o que está à altura dos olhos serve apenas para ver os clientes a abanar a cabeça, surpreendidos com a explosão de preços.

Uns dizem simplesmente que é por causa da guerra. Outros, de forma mais requintada, acusam a inflação, essa palavra maldita e muito dita. E outros, ainda, culpam o modelo social em que nos foi dado viver.

Desse modelo, sobressai a ilusão de riqueza geral baseada num critério fundamental: a aparência.

Pela aparência somos quase todos ricos. A maioria dos cidadãos ostenta elevados estilos de vida, os níveis de consumo estão em alta, o preço das casas continua a subir, os carros vendem-se como pão quente, os restaurantes estão à pinha, as lojas de roupa não se podem queixar.

Esta é uma realidade facilmente comprovável e não é só neste mês de Festa e subsídio de Natal. Tem sido assim os meses todos, o ano inteiro.

Visto de longe, o pós-pandemia fez-nos ricos.

Mas é visto de longe, de muito longe. Porque essa é uma realidade aumentada ou uma realidade virtual para muitas famílias. Esse é o mundo das aparências.

E toda a gente sabe que as aparências iludem.

A realidade tal como ela é, mostra indicadores bem mais distantes do que revelam os nossos hábitos.

Há uma sociedade atormentada com os impostos, como muito bem reconheceu o presidente da Assembleia Legislativa regional em entrevista publicada nestas páginas no dia 13 de novembro. São impostos e taxas e juros e outras obrigações que trazem sufocadas tantas e tantas famílias.

E há também uma sociedade extremada. Com poucos ricos numa ponta e muitos pobres noutra. Ao meio, vive o que sobra de uma classe média cada vez mais marginalizada, como muito bem reconheceu o presidente do Governo Regional, a 28 de novembro, numa oportuna intervenção na Conferência Anual do Turismo.

Ou seja, o diagnóstico está feito. O problema está identificado e reside numa classe média que tanto suporta a pesada máquina do Estado, como dá a mão aos que estão em baixo. Acontece que essa classe média já não tem como espremer mais os fracos recursos que tinha e vai definhando e engrossando a lista de remediados.

As duas faces da justiça

O mais normal é apontarmos o dedo ao mau funcionamento da justiça. À corrupção. Aos casos atirados para o fundo de uma qualquer gaveta. Às investigações que parecem propositadamente mal feitas. À demora e às prescrições que escandalizam o País.

Esse é o normal. Mas também é justo notar quando a justiça é célere. Foi o que aconteceu no caso do ex-padre Anastácio Alves desde que o processo chegou ao Funchal. Há uma fase estranha quando ninguém encontrava o antigo sacerdote e quando ninguém parecia competente para o ouvir. E há outra fase em que o caso chegou à barra do tribunal e foi tratado em duas audiências e uma sentença.

Independentemente do que aconteceu antes e do que acontecer a seguir, nestes meses é preciso reconhecer que foi célere a justiça. É justo dizê-lo.

O País das gémeas

Um turista que aterre em Portugal e que tenha o raro hábito de consumir informação nacional vai ficar surpreendido com a palavra que mais notícias gera nas últimas semanas.

São gémeas para baixo, gémeas para cima. Gémeas com cunhas, gémeas ajudadas pelo Presidente da República a pedido do filho do Presidente da República. Um caso que envolve antigos governantes e que ainda terá muito que falar.

A investigação jornalística tem sido crucial para este desenvolvimento. Mas, infelizmente, este não é caso raro.

Mais do que o País das gémeas, Portugal é o País das cunhas. Algumas são quase inocentes. Outras custam milhões.

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