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SNS 24 emitiu cerca de 1,5 milhões de autodeclarações de doença em três anos

Data de publicação
01 Maio 2026
11:20

O SNS 24 emitiu cerca de 1,5 milhões de autodeclarações de doença nos primeiros três anos do serviço, correspondendo a cerca de 1.350 declarações por dia, segundo um balanço dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).

Desde que a medida entrou em vigor no dia 01 de maio de 2023, perto de 284 mil utentes atingiram o limite de duas baixas até três dias por ano, revelam os dados avançados à agência Lusa.

Segundo os dados, O SNS 24 emitiu, entre os dias 1 de maio de 2023 e 31 de março de 2026, 1.424.665 autodeclarações de doença (ADD), sendo os canais digitais, nomeadamente a App e o Portal, os meios preferenciais para pedir a declaração.

A evolução mostra um crescimento consistente: Em 2023 (entre 01 de maio e 31 de dezembro) foram emitidas 264.039 ADD, número que subiu para 462.284 em 2024 e para 539.251 em 2025.

Já este ano, até ao dia 31 de março, foram passadas 159.091 autodeclarações de doença, uma média de 1.790 declarações por dia.

A análise mensal aponta para um maior número de pedidos de baixa no inverno. O mês com mais emissões foi janeiro de 2025 (67.300), seguido de dezembro de 2025 (65.919) e janeiro de 2026 (64.334).

Em sentido inverso, o valor mais baixo registou-se em junho de 2023 (25.365), numa fase inicial da medida, e posteriormente em agosto de 2024 (27.463).

Os SMPS lembram que “a autodeclaração de doença foi criada para simplificar o acesso à justificação de ausência por doença ligeira, reduzindo deslocações aos cuidados de saúde primários e libertando recursos do Serviço Nacional de Saúde”.

A medida foi coordenada pela Direção Executiva do SNS, em articulação com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, com apoio operacional dos SPMS.

O presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Medicina Geral e Familiar, Nuno Jacinto, destacou à agência Lusa a importância da medida, afirmando que veio reforçar a autonomia dos utentes na gestão de situações de doença ligeira.

“Continuamos a encarar esta medida como positiva. Já o dizíamos antes de ela ser implementada e dissemo-lo sempre após a sua efetivação”, comentou, acrescentando: “É bom que tenhamos a capacidade de responsabilizar os próprios utentes por situações de doença ligeira controláveis em casa, com autocuidados”, algo que foi aprendido durante a pandemia.

Segundo o responsável, a autodeclaração contribui para “eliminar procedimentos administrativos que eram maioritariamente feitos pelos cuidados de saúde primários”, uma vez que muitos doentes recorriam ao médico, mesmo já estando melhor, apenas para obter um documento para justificar a ausência no trabalho.

Apesar de estas situações ainda acontecerem, porque as pessoas já atingiram o limite das autodeclarações, ou porque nem se lembraram que tinham este mecanismo disponível ou não quiseram utilizar, os profissionais notam que acontecem com menos frequência.

“Cada consulta que se poupa aqui é uma consulta que fica disponível para uma situação aguda que precise de observação médica, para a vigilância de um doente crónico, de um grupo vulnerável, enfim, para aquele que é o verdadeiro trabalho do médico de família”, sublinhou.

Mas, no seu entender, há aspetos que “podem e devem ser afinados”, como a associação tem alertado desde o início.

Quando um utente emite uma autodeclaração de doença e, ao fim dos três dias, ainda necessita de manter a baixa, deveria existir um mecanismo de cruzamento de dados que evitasse obrigar o médico a recomeçar o processo desde o início dos sintomas, defendeu.

“Esta é uma questão que continua sem ser resolvida, aparentemente por uma exigência ou uma dificuldade por parte dos sistemas da segurança social, mas isso não afeta a justiça da medida e o facto de considerarmos que ela é positiva e que se deve manter”, realçou Nuno Jacinto.

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