O Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) informou hoje que está a acompanhar, “desde a primeira hora e de forma contínua”, as derrocadas em várias ilhas do arquipélago, “intervindo de imediato” para assegurar proteção de pessoas e bens.
Em comunicado, o executivo regional de coligação adiantou que está a acompanhar a situação através da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas.
O mau tempo que tem afetado o arquipélago dos Açores nas últimas semanas tem contribuído para a ocorrência de múltiplas derrocadas, sendo que as situações mais graves se registaram na estrada que liga Furnas a Povoação, na ilha de São Miguel, e na freguesia das Ribeiras, na ilha do Pico.
A ocorrência mais recente ocorreu na última madrugada, na estrada de Água d’Alto, no concelho de Vila Franca do Campo (São Miguel) e foi “resolvida de imediato pelas equipas que se encontram no terreno”.
“Sempre que é emitido um aviso de mau tempo, a Direção Regional das Obras Públicas ativa, preventivamente, equipas em todas as ilhas, com o objetivo de atuar com rapidez em situações que possam colocar em risco a segurança da população, nomeadamente através da desobstrução de vias afetadas por aluimentos de terra”, esclarece o executivo açoriano de coligação.
Segundo a nota, nas últimas semanas, “estas equipas têm trabalhado de forma intensa e ininterrupta para resolver todas as situações relacionadas com derrocadas, garantindo a reposição da normalidade com a maior brevidade possível”.
“É um esforço que o Governo dos Açores louva de forma enfática, reconhecendo a dedicação e o sacrífico pessoal dos vários elementos que, perante condições de trabalho muito adversas, têm zelado pela segurança das populações”, lê-se.
Como exemplo, é referido que no caso da situação verificada na estrada que liga Furnas à Povoação, os elementos da Direção Regional das Obras Públicas “efetuaram dia e noite os trabalhos de limpeza e monitorizaram o trânsito automóvel, de modo a garantir sempre as melhores condições possíveis e o apoio necessário a eventuais ocorrências”.
“A Direção Regional das Obras Públicas tem contado, ainda, com a colaboração das Comissões de Proteção Civil Municipal, realçando o trabalho de cooperação e apoio operacional e institucional que é característico destes momentos”, adiantou.
A Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas explica que as derrocadas, que abrangem deslizamentos de terras e quedas de rochas, “constituem um dos perigos naturais mais frequentes e destrutivos” que ocorrem no arquipélago dos Açores.
“A sua ocorrência está associada à forte inclinação das vertentes, à natureza geológica de origem vulcânica e às condições climáticas severas. A combinação destes fatores cria um cenário de elevado risco, frequentemente agravado por sismos e períodos de precipitação intensa”, concluiu.
A Câmara Municipal da Povoação solicitou hoje uma reunião urgente ao Governo Regional, admitindo novas formas de reivindicação caso não obtenha “respostas concretas” em relação à estrada que liga Povoação às Furnas, recentemente atingida por uma nova derrocada.
“Todos sabemos que é a estrada mais perigosa dos Açores. E já existem alguns registos de acidentes mortais, com deslizamento de terras. Além disso, o piso desde as Furnas até à freguesia de Água Retorta está em péssimas condições. E tudo isto precisa de ser resolvido”, alertou hoje o presidente da autarquia, Pedro Melo, em declarações à agência Lusa.
Pedro Melo afirmou que a situação “é do conhecimento de todos”, mas “há anos que nada se faz” em relação à segurança daquela via.
“Esperamos que a reunião seja marcada o mais rápido possível. A partir daí, daremos os passos seguintes”, vincou o autarca.
Entretanto, encontra-se a decorrer uma petição, que conta com mais de 600 assinaturas, a apelar à urgente construção da segunda fase da estrada Furnas - Povoação e melhoramento do piso da via entre a Povoação e Água Retorta.