A embaixadora da Noruega no Iraque e na Jordânia, Mona Juul, renunciou ao cargo devido aos seus contactos com o abusador sexual condenado Jeffrey Epstein, anunciou o Ministério das Relações Exteriores norueguês.
Num comunicado, no qual o executivo da Noruega adianta que a investigação aberta na semana passada está ainda em curso, o Ministério das Relações Exteriores criticou o “grave erro de julgamento” e indicou que será difícil recuperar a confiança necessária em Juul para o cargo.
“É evidente que todo este caso representa um problema de reputação para a Noruega, e não apenas para a sua diplomacia. Todos devem encará-lo com a máxima seriedade”, disse hoje o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, à emissora pública NRK.
Diversas figuras proeminentes da política norueguesa, incluindo o ex-primeiro-ministro e ex-presidente do Comité Nobel da Paz, Thorbjørn Jagland, e o ex-ministro das Relações Exteriores e atual presidente do Fórum Económico Mundial, Børge Brende, são citados nos documentos de Epstein, assim como a princesa Mette-Marit, esposa do príncipe herdeiro Haakon.
Juul, de 66 anos, fez parte da equipa de negociação dos Acordos de Oslo entre Israel e Palestina em 1993 e trabalhou como embaixadora em Israel, no Reino Unido e na ONU, além de Secretária de Estado.
“A questão fundamental é que a sua situação atual a impede de exercer funções. Isso tem sido um enorme fardo para ela e para a sua família”, disse o advogado de Juul, Thomas Skjelbred, à NRK em um comunicado, enfatizando que foi a própria embaixadora quem pediu renúncia.
O Ministério das Relações Exteriores da Noruega abriu outra investigação para revisitar os pagamentos ao Instituto Internacional da Paz (IPI), que foi chefiado durante anos pelo diplomata norueguês Terje Rød-Larsen, marido de Juul e ex-Enviado Especial da ONU para o Oriente Médio.
O Ministério Público da Noruega iniciou outra investigação na semana passada contra Jagland, que também foi Presidente do Conselho da Europa, por contactos com Epstein, após a recente divulgação de novos documentos nos Estados Unidos referentes ao milionário falecido.
A Comissão de Controlo do Parlamento norueguês também está a investigar as ligações entre políticos noruegueses e Epstein.