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Isabél Zuaa honrada por ser primeira atriz portuguesa num filme nomeado para Óscares

Data de publicação
09 Fevereiro 2026
9:59

Há uma atriz portuguesa num filme nomeado para os Óscares, Isabél Zuaa, algo que acontece pela primeira vez e que a deixou numa “felicidade imensa”, disse a artista em entrevista à agência Lusa.

“É uma honra enorme poder trazer esse marco histórico, porque também eu faço parte da história de Portugal”, afirmou Isabél Zuaa, que interpreta Teresa Victória em “O Agente Secreto”, longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, nomeada para quatro Óscares da Academia.

A atriz ainda não sabe se estará em Los Angeles a 15 de março, na 98.ª cerimónia de entrega dos Óscares, mas disse que está a ser feito um esforço para que o maior número de pessoas da equipa possa viajar. “É um momento histórico pessoalmente e coletivamente”, considerou.

Isabél Zuaa, natural de Lisboa, recebeu o convite para participar no filme e no dia seguinte estava a embarcar para o Recife, no Brasil. “Eles já estavam em gravações, mas não estavam a encontrar essa Teresa Victória, que é uma mulher que o Kleber conheceu, uma amiga da mãe do Kleber”.

O nome é fictício, mas a personagem baseia-se numa mulher real que foi parar ao exílio no Brasil dos anos setenta, em plena ditadura militar.

“A Teresa Victória traz ali camadas sentimentais, emocionais e também político-históricas”, descreveu a atriz. “Vem do continente africano, passa por Portugal, regressa ao continente africano e depois é exilada no Brasil durante um período de tempo da sua vida que é muito complexo”.

A personagem foi construída com cuidado, “trazendo o desconforto desse corpo em exílio”, descreveu Zuaa.

“O Kleber falou-me do tom dela, do sotaque dela, e nós adentrámos outras camadas também dentro da minha subjetividade”, explicou Isabél Zuaa, que é “filha de uma mãe angolana, tendo uma pesquisa de mulheres angolanas que foram importantes para a luta de libertação de Angola e que estudaram aqui em Portugal”.

Com a ação situada em 1977, “O Agente Secreto” centra-se em Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que volta ao Recife em busca de paz após eventos conturbados.

Isabél Zuaa contou que o ‘set’ de filmagem tinha um ambiente “contagiante” e chegou a emocioná-la. “A energia era de uma potência, de uma simbiose, uma leveza, apesar de falarmos de coisas tão complexas, nós ríamos”, lembrou.

Na altura das gravações, não havia noção de que o filme ia ter um impacto e um sucesso tão grandes. Mas a forma como foi feito já dava pistas para o futuro, indicou.

“Nós trabalhamos com matéria sensível, então acho que isso reverbera e chega e expande para o espectador”, afirmou. “Apesar de não saber diretamente que iria ser um sucesso, a simbiose que houve faz sentido que assim seja”.

A atriz, que construiu uma carreira com diversos filmes no Brasil desde 2010, gostaria de ver mais diversidade no cinema em Portugal, considerando que há muito talento nacional.

“Acho que o nosso panorama é diverso, é múltiplo e temos que aproveitar isso enquanto matéria-prima de criação artística”, considerou. “Porque é assim que a parte artística sempre traz um reflexo sobre a sociedade”.

Não considera que uma vitória do filme nos Óscares faça alguma diferença no mercado, afirmando que a mudança tem de ser estrutural e é importante.

“Até como arquivo e registo para as novas gerações entenderem a potência que nós somos enquanto cidadãs e cidadãos, as histórias que podem ser contadas, as narrativas com perspetivas diferentes, múltiplas”, disse. “E eu acho que é uma tristeza quando isso fica viciado só numa perspetiva”.

A navegar o sucesso de “O Agente Secreto”, que está “uma loucura” desde que o filme foi estreado em Cannes e um dos mais premiados desse festival, Isabél Zuaa está também a preparar um espetáculo solo, “Som, Matéria, Coração”, e a trabalhar num filme experimental gravado entre Portugal e Brasil.

“É um filme muito especial que fala de maneira simbólica e metafórica sobre esse atravessamento de Atlântico luso-afro-diaspórico com o Brasil, com Angola, com Guiné, com esses atravessamentos culturais que eu tenho e que me compõem, enquanto ser artista e ser humana”.

“O Agente Secreto” está nomeado em quatro categorias nos Óscares: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Casting.

O filme já ganhou mais de 60 prémios, desde a estreia internacional em maio do ano passado, incluindo Melhor Filme em Língua Estrangeira nos Critics Choice Awards e Melhor Filme em Língua Não Inglesa nos Globos de Ouro.

No festival de Cannes, “O Agente Secreto” deu o prémio de Melhor Realizador a Kleber Mendonça Filho, o de Melhor Ator ao protagonista, Wagner Moura, e foi distinguido com o prémio da federação internacional de críticos de cinema (Fipresci).

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