A Assembleia Nacional da Bulgária aprovou hoje a participação do país na ajuda militar à Ucrânia na guerra contra a Rússia, uma questão que dividiu a anterior coligação governamental.
Uma resolução parlamentar prevê que a Bulgária envie equipamento militar para a Ucrânia no âmbito dos "esforços da comunidade internacional para ajudar as vítimas de agressão" russa.
Como condição, a ajuda da Bulgária não pode enfraquecer as capacidades militares do país.
A resolução foi aprovada por 175 deputados, com 49 votos contra e uma abstenção, de acordo com a agência noticiosa búlgara BTA.
O documento estabelece o prazo de um mês para que o Governo apresente ao parlamento uma proposta concreta sobre o tipo de armamento que será fornecido à Ucrânia.
Ao mesmo tempo, o executivo deve negociar com a União Europeia (UE) e a NATO, de que a Bulgária é membro, a substituição do equipamento militar soviético por sistemas modernos.
Durante o debate, que demorou cerca de três horas, uma deputada leu uma carta da comunidade búlgara da Ucrânia a pedir que Sofia tomasse a decisão de enviar apoio militar a Kiev.
A Bulgária é um dos poucos países da UE e da NATO que não ajudaram a Ucrânia com armas, embora as vendas da sua indústria de armamento a Kiev tenham disparado desde a invasão.
Alexander Mihailov, antigo chefe da empresa estatal de venda de armas Kintex, assegurou recentemente ao portal de notícias europeu Euractiv que, desde o início da guerra, as exportações para a Ucrânia ascenderam a cerca de 2.000 milhões de euros, o dobro dos anos recorde de 2016 e 2017.
Este material de guerra chegou à Ucrânia indiretamente, através da Polónia e da Roménia, segundo a agência espanhola EFE.
A Bulgária tem um grande arsenal de munições de fabrico soviético que podem ser utilizadas pelo exército ucraniano.
As divergências no seio da coligação governamental sobre a guerra na Rússia foram uma das razões para o derrube do executivo pró-ocidental de Kiril Petkov, em junho.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro deste ano, mergulhando a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Os aliados ocidentais da Ucrânia têm fornecido equipamento militar às forças de Kiev, que lhes permitiu lançar uma contraofensiva em regiões que estavam sob controlo russo.
Lusa