O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou hoje o “prolífico e absolutamente singular escritor” Gonçalo M. Tavares, pela distinção, na terça-feira, com o Prémio Formentor das Letras, de Espanha.
“A honrosa atribuição do Prémio Formentor de Las Letras a Gonçalo M. Tavares, prolífico e absolutamente singular escritor português, é uma enorme alegria para o Presidente da República e um imenso orgulho para Portugal”, lê-se numa mensagem na página oficial da Presidência da República.
A fundação espanhola Formentor anunciou na terça-feira a atribuição do Prémio Formentor das Letras 2026, por unanimidade, a Gonçalo M. Tavares, sendo a primeira vez atribuído a um autor português.
Segundo a ata do júri, Gonçalo M. Tavares recebe este prémio, no valor de 50 mil euros, “pela ousadia com que construiu uma narrativa alheia às tentações do óbvio e por contar a epopeia paradoxal do desvio contemporâneo”.
“Sendo o primeiro português a vencer o galardão atribuído pelo Fundação Formentor, não podemos deixar de referir que este prémio foi muitas vezes a antecâmara de outro”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.
Em edições anteriores, este prémio foi atribuído a vários nomes de referência da literatura mundial, incluindo escritores que posteriormente receberam o Nobel da Literatura, como Samuel Beckett, Saul Bellow, Annie Ernaux e László Krasznahorkai.
Gonçalo M. Tavares, nascido em 1970, é um escritor e professor universitário português, autor de obras como “Jerusalém” (2005), “Aprender a rezar na era da técnica” (2007), “Uma Viagem à Índia” (2010), “Atlas do Corpo e da Imaginação” (2013) e o mais recente “O fim dos Estados Unidos da América” (2025).
Sobre este último romance, e citando o júri do prémio, Marcelo Rebelo de Sousa disse que é um bom exemplo da “humanidade assustada por si mesma”, elogiando-lhe “a originalidade, o hibridismo de géneros e o vigor imaginativo”.
Em declarações na terça-feira à agência Lusa, Gonçalo M. Tavares considerou “surpreendente e muito importante” receber o Prémio Formentor, que coloca a “fasquia altíssima”, igualando-o a autores que muito admira.
O escritor assegurou que mantém inalterável a sua postura em relação à escrita: “Eu sou muito tranquilo e vou fazendo o que quero fazer. Sou totalmente também intransigente em relação à minha obra, vou fazendo o que quero fazer apenas, sem ser influenciado por nada”.