Arlindo Oliveira, engenheiro civil, revelou esta quinta-feira o seu lado poético e manifestou-se preocupado com “um mundo perigoso”.
“Eu preocupo-me com os problemas do universo e agora estou preocupado com os problemas da humanidade, onde a paz está a ser posta em causa”, declarou aos jornalistas momentos antes da apresentação do seu primeiro livro de poesia, intitulado ‘O Engenheiro que Lê nas Estrelas’.
Segundo o antigo deputado do PS à Assembleia da República, “o mundo está perigoso porque está na mão, não dos mais inteligentes, dos mais capazes, mas dos mais aldrabões”.
“E aqui no ocidente estamos a ser traídos, como sabem, e não é preciso eu dizer quem nos trai, mas a verdade é que a própria Europa, a Europa dos valores, a Europa das liberdades, a Europa dos direitos fundamentais, está a ser ameaçada e está a ser ameaçada pelo nosso maior aliado”, sublinhou.
O livro de poesia abre com um poema dedicado ao 25 de abril de 1974, um momento que, sem contar com isso, viveu ao vivo, em Lisboa, e o marcou para toda a vida. Percorrendo a avenida, de mão dada com a mulher, recorda que as lágrimas e os versos foram surgindo ao ritmo da emoção que o “povo libertador” lhe proporcionou.
Na contra-capa, sobressaem os olhares críticos de João Carlos Abreu, presente na sessão (realizada na sede da Região Madeira da Ordem dos Engenheiros), e do escultor Francisco Simões. Sobre este, recordou a amizade que os unia, apesar das divergências ideológicas, sendo um socialista e o outro comunista.
“Agradeço ao escultor Francisco Simões o que ele fez pela Madeira e a amizade que ele também devotou à minha pessoa. Éramos muito amigos. Comigo a política nunca dividiu. Sempre uniu. Devia ser assim. O mundo era um lugar melhor”, disse.
Depois deste livro é de esperar que venha a publicar outros, decorrentes do seu interesse pela Física Quântica e pela Cosmologia, temáticas às quais começou a dedicar-se depois da reforma. Diz que tem o aval dos cientistas e que só falta imprimir.