A ANIMAD confirmou que estará presente no desfile da Festa da Flor 2026, mas deixa um recado claro à Secretaria Regional de Turismo. Num comunicado publicado nas redes sociais, a associação denuncia “o que classifica como um caso de censura artística e critica duramente a forma como o processo foi conduzido pela tutela”.
A decisão de permanecer no desfile foi assumida a contragosto. “Apesar de não me rever de maneira nenhuma na decisão, iremos proceder à remoção do trecho musical que foi considerado ofensivo”, escreveu Orlando Vieira, responsável pelo projeto, em nome das cerca de 150 pessoas que integram a ANIMAD.
O comunicado aponta para “a ausência de resposta atempada por parte da entidade competente, seguida de uma posição rígida e inflexível”, considerando que tal “levanta sérias questões sobre transparência, responsabilidade e respeito institucional”. A associação vai mais longe “e acusa a entidade de ter prestado informações incorretas em comunicações formais, nomeadamente no que diz respeito a datas”.
Para Orlando Vieira, “trata-se de um caso claro de censura artística, sustentada em critérios subjetivos e opiniões de natureza pessoal, que em nada deveriam condicionar a liberdade criativa”, afirmou, acrescentando que “quando uma instituição pública, que deveria promover e proteger a cultura, opta por limitar a expressão artística, está a contribuir para um ambiente de repressão, silenciamento e autocensura”.
O responsável descreve o impacto pessoal da situação com palavras duras. “Para um artista, a censura não é apenas uma imposição externa é uma experiência profundamente desestabilizadora. É sentir que a sua voz é desvalorizada, que o seu trabalho é reduzido a interpretações simplistas e que meses de dedicação podem ser colocados em causa por decisões arbitrárias”.
A ANIMAD contesta ainda a forma como foi colocada perante o grupo, rejeitando qualquer ideia de que a escolha artística foi deliberadamente inadequada. Orlando Vieira lembra que “este projeto foi previamente aprovado, em 2025, sem qualquer tipo de restrição ou ressalva” e que “o protocolo referido publicamente não se encontra, até à data, formalizado”.
O comunicado termina com um apelo direto. “A cultura constrói-se com diversidade, liberdade e respeito nunca com imposições”. “Hoje, a liberdade é, sem dúvida, um pouco mais pequena”, lê-se.