O maior número de queixas dos estudantes que chegam ao provedor na Universidade da Madeira (UMa) são referentes a procedimentos administrativos, os quais, na sua grande maioria, estão relacionados com prazos e falta de informação. O assunto foi abordado, esta manhã, por João Prudente, provedor do estudante da UMa, antes do arranque do XI Encontro Nacional de Provedores do Estudante (ENPE), em que estarão reunidos 25 provedores do estudante.
"Normalmente, a maior quantidade de queixas são referentes a procedimentos administrativos", observou aos jornalistas o provedor do estudante da UMa, o qual assumiu o cargo há quatro meses, período no qual surgiram naquela instituição seis reclamações.
As reclamações desta natureza estão, por norma, relacionadas com "prazos que os estudantes deixaram passar e concursos e candidaturas em que os regulamentos dizem uma coisa e eles não tinham conhecimento, porque não leram", apontou, reconhecendo, por isso, que se tratam, na sua grande maioria, de casos de falta de informação. É precisamente nesse sentido que, conforme sublinhou o responsável, o provedor do estudante surge, fundamentalmente como um mediador entre as instituições de ensino e os discentes, garantindo uma melhor comunicação entre as partes.
Pese embora apareçam também reclamações sobre o atraso no pagamento das bolsas de estudo, João Prudente afirma que o provedor pouco pode interceder nesse sentido, podendo apenas atuar nas situações em que a Lei ou os regulamentos não são cumpridos.
A questão do alojamento é outro dos temas que preocupa, pelo que será também uma temática em debate neste encontro. "Os estudantes deslocados que necessitam de alojamento é uma grave lacuna que impede alguns deles de frequentarem as aulas. Portanto, estarem no Ensino Superior e não poderem frequentar em igualdade é uma falta de justiça e equidade que merece a nossa atenção como provedores", defendeu.
Para Ricardo Bonifácio, presidente da Associação Académica da UMa, urge, de facto, discutir e trabalhar o tema do alojamento, até porque, conforme notou, o Funchal é a "quarta cidade de Portugal com a taxa mais alta de alojamento, estando à nossa frente só Lisboa, Porto e Setúbal".
Atraso no pagamento das bolsas não é, segundo Berta Batista, provedora do Estudante do Politécnico do Porto e Presidente da Rede Portuguesa de provedores do Estudante (RPE), não é uma das principais queixas dos discentes, pese embora reconhece que muitas das vezes a culpa é também do próprio estudante que deixa a situação se arrastar até ao fim da data limite para o efeito.
"As instituições têm perfeita noção de que os estudantes que lá vão são os estudantes mais frágeis e, portanto, obviamente tentam que os serviços funcionem bem. Mas, também é verdade que os estudantes muitas das vezes não fazem os pedidos tão cedo quanto deviam", nota, lembrando que os pedidos para as bolsas podem ser feitos em agosto, ainda antes do arranque do ano letivo. "Obviamente que quanto mais cedo o fizerem, mais rapidamente será analisada", reforça.
O evento, que decorre hoje e amanhã, na UMa, conta com a participação de representantes de 22 universidades e institutos politécnicos nacionais e elege os novos corpos sociais da Rede Portuguesa de Provedores do estudante (RPE), a nível regional vão estar representadas três instituições, nomeadamente a UMa, o Instituto Superior de Administração e Línguas (ISAL) e a Escola Superior de Enfermagem de S. José Cluny.